20 de Novembro de 2009
Finally, my life was a story. My days would no longer feel like a video game that resets to zero every time i wake up, and then begs for coins.
"I hear people talking about going on a vacation or something and I think, what is that about? I have no desire to go on a trip. My perfect day is sitting in a room with some blank paper. That's heaven. That's gold and anything else is just a waste of time."
18 de Novembro de 2009
17 de Novembro de 2009
Voltou a acontecer. Estou a ler quatro livros ao mesmo tempo. A saber, "The Complete Plays" de Sarah Kane, "Journeying Boy - The Diaries of the Young Benjamin Britten 1928-1938", seleccionados e editados por John Evans, "A Single Man" de Christopher Isherwood" e "Generation A" de Douglas Coupland.
É claro que são leituras muito diferentes e por isso compatíveis em momentos diversos do tempo livre que tenho.
As peças de Kane são uma descoberta e um choque (obviamente). Devo a sua descoberta a este post da Poesia Incompleta e a porta que ele abriu revelou uma violência visceral que ainda ando a explorar entre o fascínio e o medo. O tema da violência e da sua relação com a humanidade em nós seguirá um destes dias com um volume do senhor William T. Vollmann que me espera na estante.
Quanto aos diários de Britten, são deliciosos. Comecei por folhear ao de leve, li uma, outra entrada, depois alguns dias seguidos, na escola, com os pais, em Londres, com Auden e demais notáveis, criticando compositores e intérpretes contemporâneos, agarrado à BBC, passeando, conversando, compondo, tomando chá e comecei a viajar, a querer viajar. Vão ser muitas horas de prazer, explorar assim, intimamente, dez anos da vida de um génio musical em formação.
Christopher Isherwood, curiosamente, aparece referido amiúde em determinada fase dos diários de Britten. Isherwood viveu aliás em quase todo o lado, incluindo Sintra e Berlim ("cabaret, anyone?"). "A Single Man" foi tornado filme por Tom Ford e há-de estrear um destes dias, abunda em mim a curiosidade. Enquanto isso não acontece, vou descobrindo esse inglês viúvo na Califórnia do princípio dos anos 60.
Douglas Coupland é uma paixão literária antiga que me chega do início da vida adulta e a ele finalmente volto depois de algum tempo de ausência, num romance que nos coloca alguns anos no futuro, estratégia que muito tenho apreciado em outros autores (Kazuo Ishiguro, William Gibson, David Mitchell e Michael Cunningham, para citar alguns), como forma de explorar a velocidade do presente sem entrar deliberadamente no universo da ficção científica. E começa de uma forma deliciosa:
How can we be alive and not wonder about the stories we use to knit together this place we call the world?
16 de Novembro de 2009
Li de seguida três romances de autores portugueses. A saber, "Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas" de Ricardo Adolfo, "Deixem passar o homem invísivel" de Rui Cardoso Martins e "O Mar em Casablanca" de Francisco José Viegas. E são todos profundamente portugueses, cada um à sua maneira.
O primeiro é o mais surreal dos três, transformando em parábola o confronto de um casal emigrante com uma Inglaterra onde não percebem nem a primeira palavra. Da incomunicação do casal à incomunicação das civilizações, o "português" aparece como aquele anti-herói que mesmo sem nada saber do que se passa à sua volta vai sempre fugindo para a frente ("e seja o que Deus quiser").
O segundo, arreigadamente lisboeta e não menos dado ao simbolismo parece apesar de tudo ter menos a intenção da prelecção ao leitor por essa via e deleita-se no seu pequeno circo de personagens que navegam a Lisboa dos desastres, presente e passada (digo eu enquanto olho pela janela e lá fora parece o dilúvio).
O terceiro, colocado à transparência, parece colar cada vez mais a sombra de um Jaime Ramos que vai envelhecendo a um Francisco José Viegas com o seu prazer do mundo, do fumo, da boa comida e bebida. Sim, pelo meio há uma intriga policial que percorre três continentes entre a Internacional e a sua desilusão, mas o que vai tocando no livro é aquele Ramos a ver se se arruma na vida (e hei-de experimentar aquele arroz com filetes de sardinha).
13 de Novembro de 2009
12 de Novembro de 2009
11 de Novembro de 2009
Afinal o "Where The Wild Things Are" só estreia em Portugal em Fevereiro e já não vai ser meu presente de aniversário. Em Londres estreia a 11 de Dezembro. Alguém quer ir?
Entretanto o "Avatar" do Cameron continua a fazer ondas, mesmo antes ou sobretudo antes de estrear. O custo total é astronómico, mas as finanças da coisa estão bem montadas. Quanto à tecnologia, parece que o Ridley Scott gostou muito e quer usar num projecto seu. A ver vamos.
Abaixo mais uma imagem do "Where The Wild Things Are", obsessão do momento, até pela interessante discussão que parece gerar.
9 de Novembro de 2009
Ontem ao ver as notícias, em particular aquelas sobre a derrocada em Andorra, constatei um facto que me andava a zumbir aos ouvidos há já algum tempo. Em tempos, as reportagens de "interesse humano" eram um complemento das notícias, algo que surgia para as enriquecer e tocar na corda sentimental das audiências. Hoje, parece-me, já não há notícias, apenas uma interminável telenovela de "interesse humano" que enterra os telejornais sucintos e objectivos em episódios dramáticos que oscilam entre a hora e hora e meia. As audiências garantem as receitas publicitárias.
Ontem havia repórteres em directo sob a neve de Andorra (ai, neve, que giro, vem aí o Natal!), havia repórteres na aldeia de um dos falecidos (pobre, pobre, com a emigração como última hipótese e forma de trazer de volta os Mercedes que se viam estacionados junto das casas de granito), havia um hospitalizado que se lamentava de ter ficado sem o telemóvel e de que em Espanha é que havia trabalho (apesar da taxa de desemprego em Espanha ser das mais altas da Europa) e ainda um sindicalista que explicava que o problema era que os espanhóis (os malvados, aqueles que não querem deixar o Cristiano Ronaldo vir) punham os portugueses a fazer os trabalhos que eles próprios não queriam.
Ora este último ponto lembrou-me as brilhantes declarações da Ferreira Leite, quando dizia que as obras públicas criavam emprego era para os imigrantes. Curiosamente, nos acidentes das obras públicas portuguesas, que me lembre, morrem sobretudo portugueses. É o capitalismo e não há nada a fazer, a vida é como é e tal e coisa..
Por falar em capitalismo, parece que faz hoje anos uma festa, a queda de um muro. Jornais, rádios e televisões hesitam entre a festa, a metáfora e a nostalgia, com declarações de pessoas importantes a acompanhar. Fala-se dos muros que subsistem e das pontes que é preciso fazer, da nostalgia dos produtos do Leste e do homenzinho dos semáforos que triunfou. Uma salada.
No meio da salada, fui ler este texto de Slavoj Zizek. Embora não concorde com tudo, nem saiba de tudo para poder concordar ou não, a constatação de que capitalismo e democracia vivem muito bem um sem a outra e vice-versa, é coisa em que eu andava já a pensar cá para com os meus botões. Nunca achei que as empresas fossem instituições democráticas.
Aliás, a pátria ideal do capitalismo seria assim uma espécie de terra perdida, entre a Itália da Camorra e a China da poluição, onde a economia progrediria ad nauseam sem dar cavaco a ninguém. Mas não, não vou falar do Vara.
Fica a dúvida no ar:
But what if this strain of authoritarian capitalism proves itself to be more efficient, more profitable, than our liberal capitalism? What if democracy is no longer the necessary and natural accompaniment of economic development, but its impediment?
6 de Novembro de 2009
perguntou por onde vai
a narração do secretário da corte
no
caderno
de bolso das ideias chuvosas
de Lisboa
eu tinha vindo de onde
era o outro lado, do Verão
polifónico das palavras
metade de mim debulhava
a fruta doce dos capítulos
a outra metade
ramificava num jogo de memórias
num aturado tratado sobre a respiração
de quem espera no silêncio do mundo
continuou fora de mim o texto
caminho provisório círculo síntese imperfeita
de lugar
qual o quadro concreto desta tristeza?
a minha noção de melancolia é
uma notícia naufragada um verso detido
na alfândega
nevoeiro muro branco vento que reúne
a areia na véspera das palavras
marinheiro ao largo da derrota ou
outra coisa definitiva o rigor
metafísico de um cigarro
frente ao sentido vulnerável
dos dias
escrevo antes que escureça alguém
veio passar-se no silêncio europeu da praça
chapéu inclinado sobre a orelha esquerda
astrónomos olhavam o extracto do céu de Setembro
de Miguel-Manso
in "Contra a Manhã Burra", Mariposa Azual, 2009
5 de Novembro de 2009
Gosto de mapas e gosto de cinema. Achei graça a estas experiências de organização de informação em forma visual. Num caso são percursos em algumas "sagas" do cinema, incluindo favoritos meus como o Senhor do Anéis ou os três filmes originais da Guerra das Estelas. No outro é um mapa de alguns grandes filmes (o autor diz que são os 250 melhores), como se de transportes urbanos falássemos.
Cliquem em qualquer um deles para ver em maior.
4 de Novembro de 2009
Longe vão os meus tempos de fã dos U2. Ainda acompanho (eles estão em todo o lado, é inevitável), mas sou daqueles que acham que o pico da sua carreira chegou por alturas do "Achtung Baby". É provavelmente uma questão geracional, os senhores continuam a esgotar milhares de lugares em estádios em coisa de poucas horas, continuando a gravar música e a fazer render a sua provecta carreira. Tenho dúvidas que hoje, com as vendas de CD's em declínio, a atomização dos públicos e o reinante "faça-você-mesmo", os U2 conseguissem construir a carreira que têm, mas a verdade é que o facto de a terem, permite-lhes fazer coisas como disponibilizar integralmente um concerto seu no Youtube. Está abaixo e os rapazes estão em forma, perante cem mil espectadores no Rose Bowl.
3 de Novembro de 2009