Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Ontem vi um filme.

Não me apetece muito falar do filme. Outras pessoas farão isso melhor que eu. Mas enquanto o estava a ver e depois, enquanto caminhava, enquanto conduzia na noite, lembrei-me de várias coisas, tive até uma ou outra "iluminação".

A personagem de Art (quando lerem daqui a uns tempos, percebem), se calhar tem um pouco de Sebastian Flyte e um pouco de Charles Ryder, na indecisão, na fome, na insegurança. Talvez isso estivesse algures no meu inconsciente enquanto escrevia. Menos torturado, talvez, já não tenho muita paciência para personagens torturados, mas tenho para personagens que têm a certeza da culpa e do arrependimento.

O Charles é sempre tão simpático, mas afinal, que quer ele? O Sebastian é sempre tão inseguro e frágil, mas afinal que quer ele? E no fim, no fim, a figura tutelar da mãe que sufoca todos, não é quem primeiro vacila? E Julia, sobre cujos ombros cabe a matriarcal responsabilidade da felicidade da família, no fim, pode sequer querer alguma coisa?

Triângulos amorosos sempre foram um tema que me agradou, como quem já me leu, sabe.

Depois há a casa, claro, o fascínio e simbologia da casa, a metáfora de toda uma inglaterra. E o espaço como metáfora da civilização também sempre me interessou. Caminhando pelo eco dos tectos altos de um qualquer centro comercial, fiquei a pensar nisso também e ainda com mais vontade de ir a Londres.

No fim disto tudo fiquei a pensar em quantas séries vi na televisão em novo que me formaram e informaram o gosto e além de "Brideshead Revisited", lembrei-me logo do "Jewel in the Crown". Coisas. Se calhar é um dos motivos por que gosto tanto de ler o Rushdie.