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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Da experiência cinematográfica.

Fui educado no respeito da sala de cinema. Depois do tempo do cinema como festa (contam-me), sou do tempo do cinema como ritual de silêncio, escuridão e respeito. Lembro-me de ler nos "Esteiros" da grande festa, mas sempre gostei da experiência de imersão, de anulação do mundo em redor no escuro e no silêncio.

É claro que sou também do tempo das pipocas, do VHS, do DVD, do Blu-Ray, dos telemóveis, do tempo em que grande parte do público do cinema acabou por achar que não era diferente a sala do multiplex da sala de estar lá de casa, com interrupções, conversa, tudo um pouco.

A tudo o cinema tem sobrevivido: à televisão, ao vídeo caseiro, aos públicos barulhentos, à pirataria. Sou daqueles que acredita que o bom cinema hipnotiza, seja onde for que o vemos. O que quer dizer que também o podemos ver em casa.

Noutro dia em conversa com o Leonel Vieira, comentava como a maior parte das salas de cinema de Lisboa têm má qualidade de projecção, lâmpada cansada, mal enquadrada, desfocada, como uma experiência de cinema em alta definição em casa conseguia ser muito melhor do que isso.

É claro que já há também salas com projecção digital, com projecção cuidada e aí a diferença é significativa e a experiência volta a valer a pena.

Tudo isto para dizer que se é verdade que o lado tecnológico do cinema faz uma dança nem sempre fácil com o lado artístico e o lado de entretenimento, algures no meio continua a surgir uma experiência inesquecível e que não me deixa de fascinar vezes sem conta.