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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

West Side Story

Tenho adormecido nos dois últimos dias ao som da edição especial do CD do "West Side Story". É uma reedição comemorativa dos cinquenta anos da estreia da peça na Broadway da gravação feita com o próprio Leonard Bernstein dirigindo nomes como Kiri Te Kanawa e José Carreras. Eu sei que a época é mais de "Música no Coração", mas que querem, deu-me para aqui. Se calhar foi por ter dado o "On The Town" na televisão noutro dia.

Os meus primeiros contactos com o musical de Bernstein que haveria de ser o filme de Wise e Robbins não foram muito convencionais. Comecei por ler uma versão novelizada da história editada pela Europa-América de capa vermelha e grandes letras pretas em forma de escada de incêndio como se pedia. Depois tive o vinil da banda sonora e ouvi-o vezes sem conta. Por esse motivo, quando apanhei na rádio a versão do "Somewhere" pelo Tom Waits, reconheci imediatamente. Está no "Blue Valentines". Aí começou o meu gosto pelo Tom, mas isso é outra história.

Só mais tarde vi o filme, tive-o em VHS, tenho-o em DVD e se tudo correr bem, hei-de tê-lo um dia em Blu-Ray. Mais tarde ainda vi-o finalmente em cinema, cortesia da cinemateca ou do Lisboa 94, sinceramente não me recordo. Nessa altura já era um fã assumido e consciente da música, da história e das imagens.

Não, não me tornei coleccionador, não tenho cartazes, múltiplas gravações, o texto, a partitura, a fotografia de cena, mas... "West Side Story" foi um dos filmes que estava na minha cabeça quando fui a Nova Iorque, foi um dos motivos por que me interessei pelo Gustavo Dudamel, dirigindo o Mambo das Danças Sinfónicas nos Proms, cruzou-se com o meu gosto por jazz, pelo Great American Songbook, pelo cinema, por alguma da música mais marcante do século XX americano. Até por causa dos concertos para jovens dirigidos e explicados pelo Bernstein que apanhei na RTP há anos, quando essas coisas se apanhavam na RTP.

Sim, é um Romeu e Julieta no século XX americano onde, como é próprio dos musicais, o pessoal começa a cantar e dançar por tudo e por nada. É sobre dançar e cantar a cidade, a sua tensão, mas também, claro, uma história de amor com canções e melodias que ficaram para a história, que re-emergem em cada esquina aos nossos ouvidos. Há muito, muito para dizer sobre o West Side Story, vale a pena investigar.

Mas não, não tenciono ir ver o musical do La Féria. Chamem-lhe preconceito se quiserem, mas é como se alguém decidisse de repente encenar "O Leopardo" do Visconti, eu não ia ver. Pronto, talvez exagere. Talvez devesse lá ir, mas prefiro não o fazer e ter um Natal mais descansado. Aqui abaixo, o "Somewhere" do filme e há mais no SAPO Vídeos.