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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A promoção do Watchmen.

É verdade que a maior parte dos filmes baseados em comics têm sido um sucesso de bilheteira, mesmo os mais off à partida, como é o caso de "300", realizado por Zack Snyder, o mesmo que adaptou agora "Watchmen".

Os maiores sucessos como os vários X-Men ou os vários Batman têm uma base sólida de anos implantada na cultura pop norte-americana, com centenas de edições, variações e explorações das personagens. "Watchmen" é um caso diferente. É uma banda desenhada de culto, extensa em duração, sem prequelas ou sequelas, complexa e a puxar para o filosófico, brilhantemente escrita e desenhada por Alan Moore e Dave Gibbons respectivamente, adorada pela crítica.

O projecto da sua passagem ao cinema tem já uma aura "maldita", com sucessivos realizadores a desistir (Terry Gilliam, Darren Aronofsky, Paul Greengrass), Alan Moore a demarcar-se do projecto, conflitos legais entre a Fox e a Warner.

O filme irá ser o que for, visto por fãs e não-fãs do original em papel das maneiras que lhes der mais gozo, como aliás tinha já acontecido com "300". O que acho realmente interessante é a estratégia da sua promoção, tentando trazer a maior diversidade possível de públicos para dentro do projecto, tentando conquistar crítica e massas.

Dessa estratégia faz certamente parte esta entrevista do realizador ao New York Times. Que o próprio venha defender o seu projecto, as suas opções, seja posicionado como autor no jogo dos estúdios é notável como marketing para um projecto que tem um orçamento suposto de 120 milhões de dólares e espera certamente triplicar esse valor só em receita em sala.