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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

O marketing dos filmes.

O New Yorker publicou recentemente um extenso perfil de Tim Palen, cujo título oficial é co-president of theatrical marketing da Lionsgate, um estúdio de dimensão relativamente modesta no panorama americano.

Embora seja também um estudo de carácter, mais do que uma biografia, o artigo é uma investigação sem mercê do mundo do marketing dos filmes, com todos os cinismos, maquiavelismos, mecanismos e... bom, vocês percebem. A verdade é que, neste contexto, um filme é de facto pensado como outro produto qualquer, respondendo a perguntas básicas. Estamos a fazer isto para quem? Será que eles nos vão comprar o produto? Como os convencemos a comprar o produto?

O "produto" neste caso tem uma vantagem, não é preciso demonstrá-lo. É preciso embrulhá-lo, mostrá-lo, escolher os melhores ângulos, disfarçar os que não interessam, mas no filme está já tudo ou quase tudo o que pode ou não ser usado para o vender. Daí a inversão de valores. Se a preocupação é vender, vamos pensar à partida um produto que consigamos vender.

Em época de prémios, depois de ler o artigo, algumas notícias têm-me feito pensar. Esta, por exemplo, discute, ainda por cima no contexto específico da Lionsgate, como se pode vender um filme deprimente como "Push", não o "Push" que aproveita a onda de "Heroes", mas o que foi aplaudido em Sundance recentemente.

Depois há esta, sobre a relação entre o estúdio (neste caso a Focus Film) e um editorial fotográfico que Gus Van Sant fez do argumentista de "Milk", Dustin Lance Black (na foto abaixo). Argumentistas em tronco nu ganham óscares? O editorial puxa pela homofobia ou ataca-a? E isso é bom ou mau para as hipóteses do filme ganhar um óscar?

O marketing é o que é, um bem e um mal necessário para toda a gente que precisa de fazer dinheiro e se o cinema é já um jogo de sombras e de luz, esta é apenas uma camada adicional.