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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Pirataria digital.

Apregoa-se há uns bons anos a mudança de paradigma em algumas indústria culturais com o advento - chegamos messiânicos - do digital. O melhor exemplo de como uma indústria pode ser apanhada por um furacão sem sequer se dar conta do que lhe está a acontecer, é o da indústria musical, ainda em reconfiguração.

Notícias recentes dizem-nos que a Live Nation (promotora de espectáculos) quer comprar a Ticket Master (central retalhista de bilhetes para espectáculos). É um casamento perfeito ou um sinal de monopolização do mercado? As editoras musicais, talvez das primeiras empresas culturais a verdadeiramente globalizarem-se, estão em reestruturação permanente há quase duas décadas.

A Apple, com boa dose de inovação, agarrou a cadeia de valor da música digital do iTunes ao iPod, oferecendo uma alternativa legal e, recentemente, descartando pura e simplesmente o DRM. Está por provar se há espaço para mais players com uma dimensão, pelo menos, aproximada. Talvez no mundo fechado dos operadores móveis, mas também aí a Apple já entrou, via iPhone.

Esta parece ser, aliás, a estratégia da Amazon na área dos livros, com o Kindle, assumida e explícita.

Resta falar de cinema e televisão.Parecemos estar exactamente agora no mesmo momento em que a indústria musical estava, quando tudo começou a mudar. Nunca se viu tanta televisão e tanto cinema em tantas plataformas, como agora, mas a percentagem de conteúdo visto sem que autores, produtores ou distribuidores vejam um cêntimo, continua a crescer.

Tal como aconteceu com a música, continua a perder-se mais tempo a tentar bloquear os piratas do que a analisar o movimento, descobrindo novas formas de financiar, rentabilizar, recompensar os que não fazem parte da democracia amadora reinante mas são, em todos os sentidos, criadores.