Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Televisão, sim. Digital, sim. Terrestre? Que remédio.

Por dever profissional, assisti ontem a uma conferência sobre a TDT (Televisão Digital Terrestre) em Portugal, no belíssimo edifício da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa. Salve-se o edifício, porque o futuro da TDT parece-me... enevoado. Não resisti a escrever este post.

Portugal está atrasadíssimo. Países há (a Holanda, países nórdicos) onde já nem televisão analógica existe, apenas digital. Outros (Espanha, França) já vão no segundo modelo de abordagem à questão, com razoável sucesso e muito empenhamento governamental. A primeira tentativa em Portugal (2001) falhou redondamente. Estamos agora na fase de consulta pública prévia a um segundo concurso e as coisas parecem ir pelo mesmo caminho.

A questão está baralhada mas à partida é simples: se tivermos televisão digital em vez de analógica enviada por via hertziana, libertamos espectro radio-eléctrico que pode ser útil para outros serviços que nos fartamos de usar, nomeadamente para telefonia e dados móveis (muito populares no nosso país).

O problema é que uma questão de gestão de espectro, que devia ser resolvida da maneira mais simples e prática possível, entregando-a a quem provasse conseguir fazer uma transição suave e que servisse o mais depressa possível o maior número possível de portugueses, está posta de maneira a complicar, isto é, como uma questão do domínio do hiper-competitivo mercado das telecomunicações e do cada vez mais saturado mercado da TV por assinatura.

O mercado liberalizado de telecomunicações tem vivido agitado por OPAs, Spin Offs, concorrente nacionais e globais e vários reguladores. O mercado da televisão vive sobretudo de um bolo publicitário tendencialmente rígido, onde a Internet cresce, onde as formas de distribuição se multiplicam. Temos ADSL em todo o país, duas, em breve três coberturas de satélite nacionais, três milhões de lares com cabo passado, torres de antenas de telemóvel em cada colina e monte e vamos gastar milhões de euros a fazer mais uma rede?

Não há negócio possível em Portugal na TDT, sejamos claros. O que há é uma oportunidade para valorizar e dar bom uso ao espectro que vai ser libertado. Portanto deixemo-nos de coisas, desçamos à terra e avancemos depressa. É agora ou nunca.