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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

O Cohen continua a mostrar novidades.

 

Leonard Cohen - Going Home

 

I love to speak with Leonard

He's a sportsman and a shepherd

He's a lazy bastard

Living in a suit

 

But he does say what I tell him

Even though it isn't welcome

He will never have the freedom

To refuse

 

He will speak these words of wisdom

Like a sage, a man of vision

Though he knows he's really nothing

But the brief elaboration of a tube

 

Going home

Without my sorrow

Going home

Sometime tomorrow

To where it’s better

Than before

 

Going home

Without my burden

Going home

Behind the curtain

Going home

Without the costume

That I wore

 

He wants to write a love song

An anthem of forgiving

A manual for living with defeat

 

A cry above the suffering

A sacrifice recovering

But that isn't what I want him to complete

 

I want to make him certain

That he doesn't have a burden

That he doesn't need a vision

 

That he only has permission

To do my instant bidding

That is to SAY what I have told him

To repeat

 

Going home

Without my sorrow

Going home

Sometime tomorrow

Going home

To where it’s better

Than before

 

Going home

Without my burden

Going home

Behind the curtain

Going home

Without the costume

That I wore

 

I love to speak with Leonard

He's a sportsman and a shepherd

He's a lazy bastard

Living in a suit

Narcisismos.

A Net tem destas coisas, momentos em que vindas de várias fontes, nos chegam impressões sobre o mesmo tema. Ou se calhar eu é que estou particularmente atento a alguns temas, neste momento.

Tudo começou com o brilhante artigo do Jonathan Franzen de que já tinha falado aqui ("Liking Is for Cowards. Go for What Hurts." - nunca é demais continuar a citá-lo) que colocava de forma particularmente inteligente algumas questões sobre o papel da tecnologia no alimentar de um narcisismo preguiçoso. É claro que a tendência para o autorretrato como forma de expressão tem particular relevância na Internet, desde o mais ridículo e vulgar até projetos com pés e cabeça, como o do Alex Stoddard ou o do Jeff Harris, com os seus 4.748 autorretratos. Este vídeo aqui abaixo explica.

 

Jeff Harris: 4,748 Self-Portraits and Counting from We Know Music on Vimeo.

 

Toda esta questão dos autorretratos cruza-se também com a definição do que é ou não um artista, uma das questões implícitas na discussão da infame proposta 118. Se calhar a arte está na intenção, se calhar pode surgir por acaso, não sei bem e não tenho conclusões para partilhar, eu que não gosto de me retratar mas ponho necessariamente tanto de mim no que escrevo, nem sempre pelos caminhos mais óbvios.

A somar a isto tudo, recebi no e-mail um poema do John Ashbery que toma como mote o famoso "Autorretrato num espelho convexo" de Parmigianino (aqui abaixo). Retive a certa altura, este excerto: "The soul establishes itself. / But how far can it swim out through the eyes / And still return safely to its nest?" Salto de repente de novo para o texto do Franzen e pergunto eu, até onde podemos colocar a nossa imagem de nós na rede sem ela nos fugir?

Para completar todo este nó de relações, ontem a RTP 2 exibiu um documentário do ARTE sobre o artista plástico Anish Kapoor, que usa precisamente os espelhos convexos para provocar a reflexão (e que melhor palavra?) intuitiva e abstrata sobre a realidade e a nossa presença dela. Fica como exemplo, o maravilhoso "Cloud Gate" no Millennium Park em Chicago, abaixo.

 

Cloud Gate "The Bean" in Millennium Park from Craig Shimala on Vimeo.