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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

John Clang - My Twilight Window.

Já tinha feito um post com vídeos de John Clang, fotógrafo e videasta, e não vai ser a última vez que vai aparecer aqui, porque gosto muito da forma como manipula analogicamente as suas imagens, cortando, colando, desenhando. As quatro fotografias abaixo são da série "My Twilight Window", fotografias crepusculares de uma qualquer janela urbana (a dele, suponho), com pequenos desenhos a marcador acrescentando narrativa a esse cinzento azulado feito de prédios e céu.

Jack White - Love Interruption

 

I want love
To roll me over slowly
stick a knife inside me,
and twist it all around.

I want love to
grab my fingers gently
slam them in a doorway
put my face into the ground.

I want love to
murder my own mother
and take her off to somewhere
like hell or up above.

I want love to
change my friends to enemies,
change my friends to enemies
and show me how it's all my fault.

I won't let love disrupt, corrupt or interrupt me

I won't let love disrupt, corrupt or interrupt me
Yeah I won't let love disrupt, corrupt, or interrupt me anymore.

I want love to
walk right up and bite me
grab a hold of me and fight me
leave me dying on the ground.

And I want love to
split my mouth wide open and
cover up my ears,
and never let me hear a sound.

I want love to
forget that you offended me
or how you have defended me,
when everybody tore me down.

Yeah I want love to
change my friends to enemies,
change my friends to enemies
and show me how it's all my fault.

Yeah I won't let love disrupt, corrupt or interrupt me
I won't let love disrupt, corrupt or interrupt me
I won't let love disrupt, corrupt, or interrupt me anymore.

A morte e a indústria.

Agora que o natural movimento de histeria de massas em torno da morte de Whitney Houston acalmou, vale a pena tecer alguns comentários.

Em tempos pre-autotune, a senhora Houston tinha uma voz acima da média, treinada no Gospel, explorada nos terrenos do crossover entre soul e pop, áreas musicais de que me mantenho, de um modo geral, afastado. Honra lhe seja feita. Aos números do mundo da música, acrescente-se algumas passagens por meios adjacentes, nomeadamente o cinema, que lhe deu provavelmente o seu maior êxito, "I Will Always Love You", já repetido à exaustão antes da morte e agora em clara overdose, passe o humor negro.

Whitney Houston é produto de uma era em que ainda se vendiam discos em quantidades obscenas. O filme "The Bodyguard" antecede em oito anos a passagem do milénio, altura em que a indústria musical vendeu mais cópias físicas do seu conteúdo do que alguma vez na história. O domínio sobre a cadeia de valor da música era total e permitia construir e lançar para o estrelato global produtos como Whitney Houston, neste caso até com algum talento envolvido, noutros nem por isso.

Hoje a capacidade de controlo da indústria musical é mais difícil e o sucesso mais complexo de construir, envolvendo um sem número de meios reais e virtuais e não o triunvirato sagrado do século passado discos-rádio-concertos. Por questões de simplicidade, incluo a MTV na parte "rádio". Hoje a MTV já nem sequer passa música. Lançar um artista é construir uma marca, publicitá-la e licenciá-la no maior número de meios possível, fazendo-a render para públicos alvo específicos que têm na Internet um meio de comunicação e expansão que pode arder rapidamente num incêndio exuberante ou queimar em fogo lento para uma explosão algures no futuro. No passado isto tudo acontecia em circuitos bem definidos, hoje o nível de risco e incerteza é bem maior e a recompensa bem menor, pelo menos para a indústria.

No passado como no presente, a morte faz parte da equação, faz parte da ascenção e queda de qualquer estrela pop. E tanto melhor se a morte for espetacular: uma queda de avião, um acidente de automóvel, um assassinato a tiro, uma overdose lenta ou rápida de uma qualquer droga mais ou menos legal. Foi só o que voltou a acontecer. Ainda por cima em véspera de Grammys, a celebração da indústria pela indústria. Ninguém tem muita paciência para artistas que morrem de velhos na cama.

Para um artista, parece-me, é particularmente fácil morrer, se for honesto com a sua arte, se se comprometer totalmente, se se emocionar mais do que a pessoa comum, se se apaixonar com mais intensidade, se subir mais alto e cair mais fundo. E seja recluso num bosque, casado na imprensa cor-de-rosa, preso, em reabilitação numa clínica, há sempre maneiras de ajudar o artista na montanha russa.

Um artista morto tem vantagens e desvantagens. A desvantagem parece óbvia, embora nem sempre o seja: já não produz mais nada da sua arte. Há é claro, sempre, as homenagens, as covers, o funeral transmitido em direto, os biopics e com um bocado de sorte, inéditos no fundo de uma qualquer arca. E aí entram as vantagens. Um artista morto não tem exigências, não consome drogas, não engravida, não quer viver para além da sua música. Basicamente, um artista morto não chateia. E pelo menos durante algum tempo, vende mais do que quando estava vivo. Note-se a infeliz manobra da Sony Music, aumentando o preço de álbuns da falecida no iTunes e dois dias depois forçada a pedir desculpa. Tudo tão rápido, hoje em dia.

É tudo parte do processo, é tudo parte da história, and the show must go on.