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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Escopofilia.

Diz o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa:

 

escopofilia
(grego scopos, -ou-, que observa + -filia)
s. f.
1. [Psiquiatria] Desejo patológico de se exibir ou ser observado pelos outros.
2. [Psiquiatria] Prazer sexual que advém da observação de órgãos ou actos sexuais.

 

Diz a Wikipedia em Língua Inglesa:

 

Scopophilia or scoptophilia, from Greek "love of looking", is deriving pleasure from looking. As an expression of sexuality, it refers to sexual pleasure derived from looking at erotic objects: erotic photographs, pornography, naked bodies, etc.
Alternatively, this term was used by cinema psychoanalysts of the 1970s to describe pleasures (often considered pathological) and other unconscious processes occurring in spectators when they watch films. The term was borrowed from psychoanalytic theories of Jacques Lacan and Otto Fenichel.
Critical race theorists, such as Bell Hooks, David Marriott, and Shannon Winnubst, have also taken up scoptophilia and the scopic drive as a mechanism to describe racial othering.

 

Descobri o termo por causa de um projeto de Nan Goldin, que justapunha fotografias dela com outras novas que fizera no Louvre, a partir de quadros famosos, quatrocentos ao todo. Dois exemplos abaixo. Seja como for... acho que é uma condição de que sofro e fico feliz por isso.

Para de te queixar e faz alguma coisa.

O portal SAPO estreou hoje um projeto de que muito me orgulho em que estive pessoalmente envolvido. Chama-se "Para de te queixar e faz alguma coisa" e tem direção da Vera Moutinho, sendo que a cara mais visível do mesmo é a Xana Alves, que entre outras coisas faz rádio.

Primeiro um comentário ao título. Quando o nosso primeiro nos começou a chamar piegas, lembrámo-nos de uma frase que o Miguel Gonçalves Mendes, realizador do "José e Pilar", dizia nas apresentações públicas do filme e que, mais palavra menos palavra, era precisamente "Parem de se queixar e façam alguma coisa". Só para dizer que fazer alguma coisa pode ser muita coisa, pode ser fazer greve, manifestar-se, atirar cadeiras ou cocktails molotovs, fazer programas na Internet, escrever livros, fazer filmes, criar empresas, compor música, pintar paredes... inventem.

Toda a gente tem direito a queixar-se, claro. Mas mais que isso, toda a gente tem direito a agir, dar consequência às palavras, a não se limitar a rir do humor que usamos para lidar com as desgraças nacionais. Queixar-se, fazer um post no facebook, um like num cartoon, ter uma conversa de café, é fácil. Transformar o protestos em ação ou, mesmo quando não é protesto, pura e simplesmente agir, é mais difícil.

A nossa primeira "queixinhas" faz música mas já fez muitas outras coisas. É a Ana Bacalhau dos Deolinda. E se calhar o que ouviu mais vezes foi para "não se meter nisso da música". Das várias coisas que diz, gostei muito quando ela explicou que o curso superior, não tendo nada a ver com música, é uma educação para a vida. Mas vá, vejam aqui abaixo a conversa em formato curto e, se vos interessar, depois a outra mais completa.