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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Quem é Felix?

"No dia seguinte, logo pela manhã, o rapaz telefonou-lhe, acordou-o.

– Quem?

– Felix.

– Não estou a ver.

– Tenho fotografias. Já me viu lá de certeza, no meio dos outros.

– Lá?

– Na agência.

– Como conseguiste o meu número?

– Deram-mo eles. Pedi muito, com muito jeito.

Virou-se a custo na cama, viu as horas. Suspirou.

– O que queres?

– Esqueça-os.

– Esqueço quem? – Já um pouco irritado.

– Não sei os nomes, não me disseram. Só me disseram que eram três.

– Quatro.

– A mim disseram três.

Havia o outro, ainda não lhe ligara. Onde teria o número?

– Mas porquê tu?

– Eu chego. Um rapaz com lata.

A luz da manhã parecia adiantada espreitando entre as cortinas. Sentou-se na cama estremunhado, alguma dor de cabeça, fome se calhar.

– Nem sabes o que quero fotografar.

– Seja o que for.

– Vou pensar.

O rapaz desligou sem dizer mais nada. Josef ficou a olhar para o telefone mudo."

 

Virá a morte e terá os teus olhos, Luís Soares

 

(nas fotografias, o modelo brasileiro Francisco Lachowski, nascido a 13 de Maio de 1991)


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Virá a morte e terá os teus olhos - Teaser 2


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Quem é Josef Leitz?

"Josef é um fotógrafo conhecido. O seu nome desperta admiração em galerias de arte, redações, agências, editoras. Está neste momento a decorrer uma mostra retrospectiva da sua obra, no Pompidou, em Paris. Poucos o conhecem em pessoa, contudo. Em toda a vida deu apenas duas entrevistas, nunca esteve presente numa inauguração ou lançamento, nunca apareceu. Muitas das fotografias que tirou foram publicadas, reproduzidas, mostradas nos cantos mais variados do mundo, mas quando o convidaram para uma visita, recusou sempre. Nunca lhe interessou a hipótese da fama. É um fotógrafo que não se deixa fotografar. Conhecem-lhe a cara apenas aqueles que trabalham consigo, como aquele rapazola.

Meio século de carreira. Não é o que diz no catálogo da exposição? Josef e as suas imagens são meio século. Tudo lhe parece já cansaço apenas. Há não mais que um ano, era megalómano na encenação dos seus modelos. Cada sessão obrigava a um esforço de realizador de cinema: equipas de dezenas de pessoas, luz, maquilhagem, roupa, técnicos de todas as tecnologias. No fim nada ficava, nada descobria. Pedia cada vez mais dinheiro, fazia exigências de estrela (uma roulotte só para si, duas garrafas de champanhe, fruta fresca, dez toalhas brancas, uma cama para descansar). A tudo lhe disseram sim.

Quando Hannah se foi, exilou-se desse mundo, esgravatou a pose. Se pensar nisso, toda a vida uma sucessão de exílios. Perdeu o interesse por imagens de pessoas bonitas, roupa cara, lugares conhecidos, atitude, afectação. Começou a fotografar modelos fora do contexto, raparigas e rapazes. Procura-lhes as borbulhas, as cicatrizes, as tatuagens e os brincos, a roupa suja do dia-a-dia, a nudez inevitável. Fotografa-os na rua, em casa, na casa deles, na casa de amigos, com amigos, apenas os amigos, como se fossem todos pessoas normais. Passeando e conversando, divertindo-se à noite. Entra nas suas salas, janta com eles, espera tornar-se transparente, para que a sua objectiva veja para além da superfície opaca das relações. Tenta fazer-se invisível, com as suas máquinas, o seu olhar. Procura uma familiaridade que não existe, que só pode fabricar, um intimismo artificial, uma investigação dos nós e dos laços.

Será ainda um fotógrafo de valor? Chega-lhe haver quem ache isso? Mesmo essas fotografias recentes, mesmo as desfocadas, as desenquadradas, as séries intermináveis a cobrir paredes, minimalistas na diferença de um negativo para o próximo, mesmo essas encontram comprador. Porquê? Vale a pena perguntar? É isso que interessa? Que o comprem?"

 

Virá a morte e terá os teus olhos, Luís Soares

 

(na fotografia, um autorretrato do fotógrafo inglês David Bailey, 2009)


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Virá a morte e terá os teus olhos - Teaser 1


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