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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Capas.

A capa do "Virá a morte e terá os teus olhos" foi desenhada por mim, à falta de melhor, e pensada para ser vísivel em meios eletrónicos, visto que era esse o destino do livro. Letras grandes, cores contrastadas, um desejo de impacto no mais pequeno dos thumbnails. Mesmo assim tentei somar-lhe alguma inteligência, as letras parecem desfocadas por olhos semicerrados, a fotografia de fundo é o lusco-fusco urbano dos momentos chave da história.

Antes dessa, fiz outras versões e não tenho a certeza de qual seria a minha preferida. É provável que não fosse a final (à direita), se o livro fosse em papel. Sendo um amador, apesar de me ter decidido, nunca fiquei realmente convencido. É também provável que a minha participação na capa fosse meramente opinativa, se o livro fosse em papel. O que é uma coisa boa.

Desenhar capas de livros devia ser deixado aos profissionais e não tentado em casa. Como aquelas mensagens que aparecem a propósito de desportos violentos ou radicais. A verdade é que há demasiadas capas más ou que parecem ter saído todas da mesma fotocopiadora, na edição em Portugal. Mas desconfio também que há demasiada gente que lê poucos livros, até os que edita, na edição em Portugal, deixando essa tarefa a opinadores e revisores.

Seja como for, já comprei livros só pela capa, pelo-me por tê-los nas mãos, gosto de os cheirar, como uma personagem do "Em Silêncio, Amor", de longe o meu livro com a pior capa. Sigo a questão com a atenção que posso e acho, por exemplo, as coleções da Penguin brilhantes, as capas em Espanha e França desinteressantes, em Inglaterra e nos Estados Unidos mais variadas. Vale a pena espreitar o Caustic Cover Critic.

Sim, editei em e-book, mas estou com o Chip Kidd nesta TED Talk, adoro a thinginess dos livros, aquilo que neles puxa por todos os nossos sentidos. O vídeo veio via Bibliotecário de Babel.

 

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Escolhas.

O José Mário Silva pediu-me simpaticamente umas escolhas de livros, que apareceram no Actual do Expresso de ontem. Escolhi os poemas de Manuel António Pina ("Como se Desenha uma Casa") e da Laura Kasischke ("Space, In Chains"), os romances de Don DeLillo ("Ruído Branco") e Jennifer Egan ("A Visita do Brutamontes") e os contos de Edith Pearlman ("Binocular Vision"). São todos excecionais, cada um à sua maneira, no seu momento e no seu lugar.

Sim, leio mais anglófonos e em inglês, o que não me impediu de depois, de tarde, ir à Feira do Livro encontrar poemas do Miguel-Manso e do Daniel Maia-Pinto Rodrigues, uns muito curtos contos (ou talvez sejam outra-coisa-qualquer) de Tonino Guerra e Miguel Martins e ainda o "Danúbio" do Claudio Magris.