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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Super-heróis.

O fascínio que os super-heróis exercem sobre a cultura popular é perene e crescente. São um fenómeno predominantemente americano, do século XX e podem ser olhados de muitas maneiras. Um destes dias terei tempo para ler o "Supergods" do Grant Morrison mas não me parece que vá ser para já.

Solitários, frutos de desastres tecnológicos vários, extraterrestres, deuses de proveniência mitológica variada, mutantes, famílias inteiras (vale sempre a pena rever o começo do "The Ice Storm" do Ang Lee) os super-heróis estão presentes em todas as formas de expressão da cultura pop que o século XX criou: em comics, na televisão, em animação, em brinquedos, roupas, em jogos, em livros, na internet e, é claro, no cinema. "Os Vingadores" são prova de que o filão ainda não esgotou e é global no seu apelo.

Embora tenha gostado do entretenimento direto proporcionado pelo filme de Joss Whedon, o "Chronicle" do Josh Trankle é simultaneamente mais pensado e subtil na exploração do tema, nunca sendo verdadeiramente original. Adota a estética do found footage sem assumir o princípio de que alguém de facto encontrou e editou aqueles vídeos. O retrato resulta mais íntimo e mais público, nos momentos certos. Explora a frase que no Homem Aranha original sempre me soou um pouco a inane e primária, "with great power comes great responsibility". Sem nunca aprofundar ao limite as personagens, desenha-as com algum cuidado e assume as influências do género com maior diversidade do que o costume - famílias normais e desfeitas, aforismos filosóficos, girl meets boy, a origem do mal. Essas coisas.

Ainda por cima toda a grande cena final me parece uma citação visual direta do "Akira" do Katsuhiro Otomo.