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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Dos Heróis.

Desde a Antiguidade a figura do herói mobiliza multidões, civilizações. Li recentemente uma biografia ficcionada de Aquiles dos pés velozes e tenho relido partes da Ilíada só por causa disso. Aquiles, o melhor dos gregos, mimado por uma deusa, o melhor guerreiro de entre os seus, arrogante, desafiando o destino e pagando pelo seu desafio.

Os meus heróis desde sempre foram músicos, escritores, cineastas, atores mas também políticos, jornalistas, filósofos. Os meus heróis sempre foram pessoas inteligentes e talentosas, de preferência com a coragem suficiente para fazerem o que realmente queriam da sua vida. Nunca me senti herói de mim mesmo, mas sempre olhei para cima e tentei trepar para os ombros desses gigantes. Usei o masculino porque essa é a regra da língua, há evidentemente mulheres também entre os meus heróis.

Num mundo em que a tecnologia democratizou o acesso aos media, em que os gatekeepers perderam influência, em que as redes e a visibilidade instantânea e permanente dominam, parece que qualquer um pode ser herói, num vídeo no Youtube, num post no Facebook, num qualquer concurso de talento ou disparate. E isso é uma coisa boa. Haja o que houver, o acesso democrático é bom. A pergunta é outra. De entre tantos possíveis heróis, como podemos no fim distinguir realmente os verdadeiros, aqueles que nos podem inspirar e ter vontade de ser melhores?

Gosto muito de futebol mas, lamento, nenhum jogador é um herói para mim. E lamento também, mais rapidamente seria Messi do que Ronaldo, só porque Ronaldo é mais Aquiles que Messi. É uma personagem muito melhor, claro, com a sua arrogância, a sua emoção à flor da pele e a sua obsessão pelo trabalho. Mas eu prefiro os meus heróis um pouco mais humildes, com pinta de anti-heróis, na verdade. Não o louro Aquiles, mas Pátroclo na sua sombra. 

Como é frequente quando escrevo coisas destas, mesmo com futebol pelo meio, este texto era apenas para dizer que Aaron Sorkin é um dos meus heróis. Tal como Alan Ball ou Tony Kushner. São algumas das pessoas que me fazem ainda acreditar que a ficção televisiva pode desempenhar uma função social e política. "The Newsroom" é a nova série da autoria de Sorkin, produzida claro pela HBO, e tem ainda um escasso episódio, coisa curta para a podermos avaliar, mas espero que seja mais "West Wing" do que "Studio 60 on the Sunset Strip".

Ficando-me ainda por esse primeiro episódio, não o podia aconselhar mais. Na fotografia, Jeff Daniels, que desempenha o papel principal, herói a contragosto, figura de Don Quixote, ou talvez seja apenas o seu cavalo. Mas não era um burro? Vejam e percebam.

Bloodbuzz Ohio

The National are probably more from Brooklyn than Ohio. Still they don't renege their origins, I guess. Childhood friends, college friends, meeting at the right time in the right places, knowing the right brothers, it all comes together circumstantially to form a band. Anyway, I'm developing an interest in Ohio. Why? More on that someday.

Acho inúteis as palavras.

O fado é de Amália Rodrigues, mas a versão abaixo é do grande Marco Rodrigues, que também toca viola, com Eurico Machado à guitarra, ao vivo no Café Luso. Fica também a letra.

 

 

Acho inúteis as palavras
Quando o silêncio é maior
Acho inúteis as palavras
Quando o silêncio é maior

 

Inúteis são os meus gestos
P'ra te falarem de amor
Inúteis são os meus gestos
P'ra te falarem de amor

 

Acho inúteis os sorrisos
Quando a noite nos procura
Inúteis são minhas penas
P'ra te falar de ternura

 

Acho inúteis nossas bocas
Quando voltar o pecado
Acho inúteis nossas bocas
Quando voltar o pecado

 

Inúteis são os meus olhos
P'ra te falar do passado
Inúteis são os meus olhos
P'ra te falar do passado

 

Acho inúteis nossos corpos
Quando o desejo é certeza
Acho inúteis nossos corpos
Quando o desejo é certeza

 

Inúteis são minhas mãos
Nessa hora de pureza
Inúteis são minhas mãos
Nessa hora de pureza

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