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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A invenção da música.

As grandes invenções da humanidade são as que vão subsistindo ao passar do tempo longo, o tempo dos séculos, e que contêm em si a semente da civilização, da mudança cultural, da revolução no pensamento, da criatividade, da intervenção política no sentido mais lato e profundo do tempo. Desde Guttenberg temos passado muito tempo a discutir os meios, a invenção das tecnologias que medeiam a nossa expressão. A imprensa móvel, claro, a fotografia, o cinema, a televisão, o digital.

Nenhuma invenção supera a da escrita e a da música, as duas mais versáteis, mágicas e poderosas que em algum momento da nossa história enquanto espécie nos ocorreram. Sobre a escrita, fica para outra altura, sobre a música, depois de cinco dias distribuídos por dois fins de semana de Rock In Rio, apetece-me dizer uma ou outra coisa.

O Rock In Rio é o conceito de festival de música enquanto evento comercial levado ao limite do que pode ser. Se excetuarmos os showcases Vodafone e alguns momentos dos diálogos no Sunset, o objetivo é claro: dar às pessoas música de que elas gostam, que reconhecem, que estão habituadas a ouvir e, ao atraí-las nesse processo de reconhecimento e conforto, rentabilizar o evento ao máximo por via de venda de bilhetes e patrocínios. Nada a opor, é o que é.

Eu ouço todo o tipo de música, como já repeti à exaustão, e estou sempre a tentar descobrir coisas novas para ouvir mas isso não me impede de sentir o prazer renovado do reconhecimento, de me deixar levar ocasionalmente pelos processos da pop ou do retro que não existe só numa certa música de dança que parece dominar hoje em dia, mas também no rock e, por maioria de razão, na clássica e no jazz.

Instante chave do Rock In Rio, encerramento com chave de ouro, foi o momento em que ontem (já hoje na verdade), Bruce Springsteen e a sua E Street Band atacaram o "Twist and Shout" dos Beatles, com todo o fervor e festa como se estivessem a começar o seu set, acompanhados do fogo de artifício do Rock In Rio. E sim, diverti-me muito.