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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Rothkos para o calor.

Gosto de arte abstrata. E irritam-me as duas atitudes prevalecentes sobre a mesma, que podem ser traduzidas em duas frases simples: "Isto até eu fazia." e "Isto representa o quê?". Mark Rothko é, no mercado da arte, dos mais valiosos pintores abstratos. Desconfio, contudo, que é por a sua arte ser de fácil leitura: são cores (Red, Orange, Tan And Purple; Orange And Yellow - coisas deste tipo), é quase design, é o tipo de quadro que condiz com um tapete ou um sofá. E isso também me irrita.

Quem conhece um pouco da vida de Rothko, daquilo que escreveu sobre arte, sabe que ele era tudo menos superficial. Mas mais que isso. Não é preciso conhecer o autor para perceber como os quadros são fantásticos. Os jogos de cores, a maneira como surgem na tela, como se sobrepõem e mancham ou delimitam, as emoções que o destilar do mais puro na pintura - a cor - consegue mesmo assim transmitir toda uma paleta de emoções, passe o trocadilho. Comparem-se os murais Seagram com os quadros dos últimos anos com estes aqui abaixo - qualquer reprodução não faz justiça aos originais.

Num dia como o de hoje, o calor como me toca a pele e os olhos é feito destas cores. E que bem se estava num museu fresquinho onde pudesse estar sentado em frente a elas, só a pensar, a imaginar, a divagar, a sentir.