Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Anne Sexton - The Poet Of Ignorance

Perhaps the earth is floating,
I do not know.
Perhaps the stars are little paper cutups
made by some giant scissors,
I do not know.
Perhaps the moon is a frozen tear,
I do not know.
Perhaps God is only a deep voice
heard by the deaf,
I do not know.

 

Perhaps I am no one.
True, I have a body
and I cannot escape from it.
I would like to fly out of my head,
but that is out of the question.
It is written on the tablet of destiny
that I am stuck here in this human form.
That being the case
I would like to call attention to my problem.

 

There is an animal inside me,
clutching fast to my heart,
a huge crab.
The doctors of Boston
have thrown up their hands.
They have tried scalpels,
needles, poison gasses and the like.
The crab remains.
It is a great weight.
I try to forget it, go about my business,
cook the broccoli, open the shut books,
brush my teeth and tie my shoes.
I have tried prayer
but as I pray the crab grips harder
and the pain enlarges.

 

I had a dream once,
perhaps it was a dream,
that the crab was my ignorance of God.
But who am I to believe in dreams?

Donald Moffett - The Extravagant Vein

Descobri Donald Moffett em Agosto, precisamente com esta exposição no Warhol Museum de Pittsburgh. Dos seus vinte anos de carreira, gostei particularmente da capacidade de interrogação política e social da realidade contemporânea cruzada com um desrespeito pela tradição dos materiais da pintura.

Havia mais para dizer, mas não sou a pessoa certa. Contudo, nesta lógica, achei interessantes as projeções em vídeo sobre telas, mantendo a textura da tela, da pintura. Três exemplos abaixo: Untitled (The Public) de 2002,  Gold/Landscape #2 de 2003 e Aluminium/Watergate de 2004.

Depeche Mode - Freelove

If you've been hiding from love
If you've been hiding from love
I can understand where you're coming from
I can understand where you're coming from

 

If you've suffered enough
If you've suffered enough
I can understand what you're thinking of
I can see the pain that you're frightened of

 

And I'm only here
To bring you free love
Let's make it clear
That this is free love
No hidden catch
No strings attached
Just free love
No hidden catch
No strings attached
Just free love

 

I've been running like you
I've been running like you
Now you understand why I'm running scared
Now you understand why I'm running scared

 

I've been searching for truth
I've been searching for truth
And I haven't been getting anywhere
No I haven't been getting anywhere

 

And I'm only here
To bring you free love
Let's make it clear
That this is free love
No hidden catch
No strings attached
Just free love
No hidden catch
No strings attached
Just free love

 

Hey girl
You've got to take this moment
Then let it slip away
Let go of complicated feelings
Then there's no price to pay

 

We've been running from love
We've been running from love
And we don't know what we're doing here
No we don't know what we're doing here

 

We're only here
Sharing our free love
Let's make it clear
That this is free love
No hidden catch
No strings attached
Just free love
No hidden catch
No strings attached
Just free love

Andrew Huang - Solipsist

SOLIPSIST from Andrew Huang on Vimeo.

Directed by Andrew Thomas Huang
http://www.andrewthomashuang.com

WINNER at SLAMDANCE 2012 of the Special Jury Prize for Experimental Short

Facebook https://www.facebook.com/AndrewThomasHuang
https://www.facebook.com/Solipsistfilm
Twitter - http://www.twitter.com/Andrew_T_Huang
Tumblr - http://andrewthomashuang.tumblr.com/

Original Soundtrack: http://itunes.apple.com/us/artist/the-nautilus-diary/id514184687

Cast Featuring: Mary Elise Hayden, Marissa Merrill & Dustin Edward

Executive Producers: David Lyons & Andrew Huang
Producers: Laura Merians & Stephanie Marshall
Cinematographer: Laura Merians
Production Designer: Hugh Zeigler
Costume Designer: Lindsey Mortensen
Hair & Makeup Designer: Jennifer Cunningham
Sound Design & Original Score: Andrew Huang

A Moo Studios & Future You Production

Copyright 2012 Andrew Huang All Rights Reserved.

Serviço público e RTP.

Não me apetece falar muito sobre a questão da privatização ou concessão da RTP enquanto processo político, até porque acho que um dos objetivos do movimento atual é gerar a maior confusão possível. Há ainda por cima gente bem mais qualificada do que eu para falar do assunto. Tome-se o exemplo de Aarons de Carvalho que gosto de citar por ter sido meu professor.

Atirar milhões de custos e frotas automóveis para a discussão é absurdo, sem contexto, sem detalhe, sem passado e sem futuro. Há uma guerra de informação a decorrer. O Presidente da República mantém-se calado, até porque foi ele enquanto primeiro-ministro quem acabou com a Taxa de Televisão e gerou a espiral de caos no financiamento da RTP, com os resultados hoje claros, que incluem uma taxa reposta entretanto. Coloca-se aparentemente a hipótese de a entregar a um privado. Foi no governo de Cavaco Silva que os custos da RTP dispararam para concorrer com os emergentes canais privados.

Nada disto me deprime verdadeiramente, porque o estado do país tem anestesiado a minha capacidade para a depressão com as notícias que diariamente me aparecem à frente. O que for infelizmente será, quem tem poder para intervir que intervenha, por favor. Por favor! Queria era falar de outra coisa.

Descobri enquanto me andava a informar que temos dos canais públicos e serviço público de televisão mais baratos da Europa, seja qual for o critério: orçamento total, custo per capita, custo como percentagem do PIB, etc.. Isso sim, deprime-me.

Depois olho para a programação da RTP e percebo. No Canal 1 temos concursos, entretenimento barato de fluxo, informação sensacionalista, touradas (!) e ficção que é adaptação de formatos internacionais. No Canal 2 temos mais cultura, sim, mas também muitas séries americanas, infotainment a fazer-se passar por documentário e a programação de qualidade muitas vezes remetida para as horas tardias e envergonhadas. Nem sei como já não temos futebol.

O nosso serviço público de televisão não devia ser uma questão de "poupar nos custos", devia ser uma prioridade absoluta no desenvolvimento da indústria de conteúdos, da cultura, da lusofonia, da ficção, do entretenimento de qualidade. A RTP devia investir na compra de direitos para televisão e na filmagem de concertos (clássica, jazz, rock, pop, tudo o que mereça ser visto e ouvido), teatro, deveria investir em novos talentos, animação, cinema, séries de ficção, documentário, valorização do arquivo, programação para as minorias, educação, cultura (popular e erudita). A RTP devia ser um dos motores de todo um setor da economia.

A RTP não devia ter publicidade, não devia transmitir futebol, nacional ou internacionalmente, não devia ter concursos, não devia adaptar formatos internacionais, não devia concorrer em audiências com as televisões privadas. A RTP devia trabalhar com as escolas, as universidades, os politécnicos, a associações culturais, os teatros, os agrupamentos musicais, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém, a Fundação de Serralves, os Museus, os Monumentos, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, as Fundações das grandes empresas, nas iniciativas com mérito que promovem.

A RTP devia investir na formação, na escrita de guiões, na filmagem de ficção original, alguma experimental, outra tendendo para o mais popular. E estou a falar daquilo que pode dar bom audiovisual, já nem sequer menciono por exemplo, a área do livro.

Não quero ser injusto com ninguém. Sei que tem sido feito um esforço em algumas destas áreas. Louvo iniciativas como a Academia RTP, algum do trabalho no online, algum do investimento no audiovisual (por obrigação mais do que por vocação), alguma da programação da RTP Memória, da RTP Internacional. Sei também que o movimento de desinvestimento no serviço público é um mal geral de uma paisagem audiovisual cada vez mais complexa e fragmentada.

Eu não quero o fim da RTP 2, não quero a concessão da RTP 1. Quero dinheiro. Quero dinheiro a sério para limpar a casa de cima a baixo, reduzir os custos operacionais com programação destinada a concorrer com os canais privados e investimento a sério num futuro para a cultura e o entretenimento portugueses, investimento para termos memória daqui a uns anos. Pode ser?

Pág. 1/6