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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Yellowism.

Não consigo ainda ter opinião definitiva em relação ao Yellowism.

A primeira reação é de horror por terem intervindo de forma aparentemente bárbara e sem sentido sobre um quadro de um dos meus pintores favoritos, Mark Rothko. Um dos integrantes dos murais Seagram, que ainda por cima já vi ao vivo, no mesmo sítio onde aconteceu a dita intervenção.

A segunda reação é de dúvida e questão. Sempre achei que um dos critérios de avaliação da arte contemporânea era o da intenção do artista e se outra coisa aqui não houvesse, intenção há, de provocar o choque, a discussão, o debate. Volto sempre às palavras do Don DeLillo sobre o lugar dos romancistas no nosso imaginário, palavras que a Laurie Anderson cita e generaliza para o mundo da arte: "Years ago I used to think it was possible for a novelist to alter the inner life of the culture. Now bomb-makers and gunmen have taken that territory. They make raids on human consciousness. What writers used to do before we were all incorporated." E se há coisa que estes senhores foram é terroristas, ainda por cima sobre um quadro valorizado no mercado da arte em dezenas de milhões de euros.

A terceira reação, contudo, volta a sobrepor a primeira. Nunca a intervenção sobre a arte deve implicar a destruição ou desfiguramento de outra arte, é o que eu acho. Comentar, trabalhar, reproduzir, interrogar, recontextualizar, sim, tudo isto pode também ser arte. Intervir de forma vandalizadora é apenas terrorismo e se esse terrorismo se arroga a arte, nada mais é do que pretensão ao protagonismo que para mim não chega a ter o valor que deseja. E mesmo assim... tenho dúvidas, nos tempos que correm, tantas dúvidas.

Abaixo um dos Rothkos do dito conjunto.