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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A propósito de atlas.

Na mitologia grega, Atlas era o titã que segurava a esfera celeste. Está na etimologia do Oceano Atlântico, da ilha perdida de Atlântida e deu, é claro, nome aos montes Atlas no norte de África, em cujas cavernas se passa uma das partes de "Em Silêncio, Amor".

Embora se publicassem coleções de mapas desde os tempos de Ptolomeu, a associação do nome do titã a tais coleções ocorreu pela primeira vez na publicação em 1572 de Tavole Moderne Di Geografia De La Maggior Parte Del Mondo Di Diversi Autori de Antonio Lafreri. Isto segundo Ashley Baynton-Williams, citado pela Wikipedia, ela própria uma espécie de atlas do conhecimento com o mesmo grau de imprecisão dos mapas de quinhentos.

A imprecisão desses primeiros atlas invoca sempre na minha memória o conto de Borges, "Del Rigor En La Ciencia" e a ambição desmedida de construir um mapa tão perfeito do território que se substitua ao território. Não me parece muito longe do que hoje se passa e em alguns casos a ambição acaba por se transformar em hubris.

Seja como for, se na tecnologia a conversa é complexa, demorada e não para este post, na arte tenho uma dificuldade mais imediata em censurar a ambição, a loucura, a coragem. Isto é verdade para um outro Atlas, o livro de David Mitchell que Andy e Lana Wachowski e Tom Tykwer transformaram em filme. Cloud Atlas estreia em Portugal dia 29 de novembro (ah, as coincidências...) e eu já o vi. Mais sobre isso nessa altura, perdoem-me isto ser apenas um teaser. Abaixo, imagem de uma das minhas cenas favoritas.

R.E.M. - Blue

Yellow circus left the stakes a broken ropes world's useless mug
The ties that bind, ha ha
I can be bad poet
Street poet
Shit poet
Kind poet too

Subway
Almost 4AM
Halloween night
Had enough to drink to make my own party
All my fellow writers in half costume, half asleep
Half silly, gone to seed

I don't mark my time with dates, holidays, faded wisdom, locked karma holders
Convenient

I am made by my times
I am a creation of now
Shaken with the cracks and crevices
I'm not giving up easy
I will not fold
I don't have much
But what I have is gold

I saw your face...

I sing in platinum
I dress in brass
I eat in zinc
Let it pass

Compare a toast
I like that
I understand courage
I still roll with the shout of a character I was married to today
I try to see outside myself
I understand the eyes
Excuse all the highs
Sorry
I am sorry
Ha ha

I like you, love you, every coast of you.
I've seen your eddies and tides and hurricanes and cyclones.
Low ebb tide and high, full moon.
Up close and distant.
I read you.
Look, the sky, the sea, the ocean, the sun, the moon.
Blue, blue, blue, blue, blue, blue, blue blue, blue, blue, blue, blue.
Naked and blue.

Breathing with you. Touch. Change. Shift. Allow air. Window open. Drift. Drift away. Into now.

I want Whitman proud. Patti Lee proud. My brothers proud. My sisters proud. I want me. I want it all. I want sensational. Irresistible.

This is my time and I am thrilled to be alive.

Living. Blessed. I understand.

Twentieth century:
Collapse Into Now

Cinderella boy
You've lost your shoe

Cinderella boy
Your coach awaits

A sun makes shadows
All over your face
As you sit
Naked and blue
Into me