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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Sintra Queirosiana n'Os Maias

 

"No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor, Era no primeiro plano o terreno, deserto e verdejante, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e, emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda a cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro (...)".

Joseph Anton (depois de lido).

Há em "Joseph Anton" de Salman Rushdie coisas que me interessam, emocionam, tocam: a vida de um escritor, o mundo que o rodeia, outros escritores, a luta pela liberdade de expressão, os erros que tenta justificar, a turbulenta vida emocional, a relação com a política, a ascensão do fundamentalismo. Embora perceba a escolha da terceira pessoa, criando algum distanciamento, algum efeito adicional de novelização, não tenho a certeza que não se torne ocasionalmente confusa.

Diga-se que sou admirador de Rushdie e recomendo a leitura do livro. Dele li também Midnight's Children, Haroun and The Sea of Stories, Shalimar The Clown e o pomo da discórdia, The Satanic Verses.

Duas citações portuguesas:

José Saramago had written, 'there is something that has no name. That something is what we are.' The something that had no name within him always came to his rescue in the end. He clenched his teeth, shook his head to clear his thoughts and ordered himself to get on with it.

[E a propósito do livro The Ground Beneath Her FeetThe film rights to the novel had recently been acquired by the piratically dashing Portuguese producer Paulo Branco and the film was to be directed by Raúl Ruiz. He met Branco and proposed Padma for the female lead. 'Of course,' said Branco. 'That will be perfect.' In those days he had not learned how to translate producer-speak into English. He did not realise that Branco was really saying, 'Of course not.'