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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Ed Ruscha: Buildings and Words

Ed Ruscha: Buildings and Words is a short-length documentary, commissioned by MOCA, about Ruscha’s extraordinary body of work.​ The film is written and directed by Felipe Lima and narrated by Owen Wilson.

Director and Writer: Felipe Lima
Produced by: Ways & Means
Executive Producers: Lana Kim, Jett Steiger
Producer: Rachel Nederveld
Narrated by: Owen Wilson

Interviews:
Ed Begley, Jr.
Larry Bell
Billy Al Bengston
Irving Blum
Larry Gagosian
Jim Ganzer
Joe Goode
Kim Gordon
Ed Moses

One More Time With Feeling

Nick Cave & the Bad Seeds' sixteenth studio album, Skeleton Tree, will be released globally on vinyl, CD and across all digital platforms on 9th September 2016.

 

The first opportunity anyone will have to hear any of the songs from the album will be to watch feature film One More Time With Feeling, directed by Andrew Dominik (Chopper, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, Killing Them Softly). The film has been officially selected to world premiere at the 2016 Venice Film Festival and will screen in more than 800 cinemas across the world (including UCI in Portugal) on 8th September 2016, immediately prior to the release of Skeleton Tree the following day.

Carlos Drummond de Andrade - A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:
não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

 

O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!

 

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios
garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.