Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Um amor de perdição.

Irrita-me que a maior parte das personagens esteja tão mal definida, quando os actores são bons e o trabalho sobre a imagem também. Falta densidade e intensidade ao Simão para ser o verdadeiro herói romântico, parece muitas vezes uma hipótese de uma tensão que nunca chega a acontecer. Os pais são também apenas esboçados sem conseguirmos verdadeiramente perceber o que os motiva na relação com os filhos. O irmão mais novo apresentado logo no início como homossexual, passa o filme na insinuação de um eventual édipo, sem que ate nem desate.

Não falo sequer da Teresa, propositadamente encenada como um ideal quase invisível, escondida, em contra-luz, privada ao nosso olhar. Aí parece-me uma opção interessante. E se por contraponto o Simão enche o ecrã, falta-lhe, insisto, motivo para aquela revolta um bocado "dandy".

Salvam-se os mais novos, o Félix e a Rita, sugerindo no futuro um novo amor de perdição num futuro não muito distante e a Mariana, caminhando como eles na fina hipótese das emoções reveladas que faz um bom actor com um bom personagem.

O filme passa pouco dos oitenta minutos e mais vinte minutos de trabalho sobre a escrita teriam talvez ajudado a resolver estes problemas. Até porque a banda sonora é do Sassetti. No fim, no fim... soube bem, mas soube a pouco.

3 comentários

Comentar post