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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Never Let Me Go

Descobri por estes dias que está em rodagem a adaptação cinematográfica do "Never Let Me Go" do Kazuo Ishiguro (capa aqui ao lado). Vale a pena ler a crítica do The Guardian da altura, mas cuidado porque abunda em spoilers.

Ishiguro tem no seu passado um caso de sucesso de adaptação ao cinema, com "The Remains of the Day", uma obra Merchant-Ivory muito nomeada para os Óscares desse ano (1994) mas convincentemente derrotada pela "Schindler's List" do Spielberg.

Como mencionei a propósito do "The Road", o meu medo nestas coisas é que a versão em cinema não consiga conservar a subtileza da versão literária. E não me venham dizer que é impossível, apenas o é para um determinado tipo de cinema. Os nomes associados ao projecto, embora sejam interessantes de per si, não me deixam descansado.

Mark Romanek, o realizador, fez sobretudo videoclips, formato que por natureza não é muito dado à calma. Note-se que nesse campo tem alguns trabalhos notáveis. Vale a pena destacar "Rain" de Madonna e "Scream" de Michael e Janet Jackson, além de "Strange Currencies" dos R.E.M.. O senhor aí tem créditos firmados e aplausos garantidos.

Alex Garland, o argumentista, é um caso semelhante. Dele li "The Beach" e "The Tesseract" que foram de mal a pior em termos de adaptação cinematográfica. Tendo colaborado já em várias ocasiões com o oscarizado deste ano, Danny Boyle, "Never Let Me Go" é uma proposta muito diferente de "28 Days Later" ou "Sunshine", sem retirar a estes filmes os méritos que merecem. Só para se ter uma noção, um dos próximos projectos do senhor é a adaptação ao cinema de "Halo", o milionário jogo da Microsoft. E todos sabemos como costumam correr as adaptações de jogos a filmes.

Seja como for, vou querer ver, por gostar muito do romance. Até porque acabei o "Falling Man" e comecei o "Nocturnes" do mesmo Ishiguro.