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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Pedro Páramo.

Pela hora zero do dia de hoje, morreu às minhas mãos, desfez-se em pedras nas páginas sob os meus dedos de leitor, Pedro Páramo de Juan Rulfo, coro de vivos e mortos confundios, alguns gritando outros gemendo, muitos murmúrios, alguns sussurros.

Acabei de ler e fiquei irrequieto, apeteceu-me caminhar pelas ruas em busca do calor, do vento, da chuva, a ver o que ouvia do que move e tortura as pessoas, as suas memórias e os seus desejos que um dia hão-de ser também memórias.

Enquanto lia, não sei porquê, imaginei como seria um filme assim em coro, cantado de baixo e de cima da terra. Fui investigar e no IMDB constam quatro: um com argumento do Carlos Fuentes (!), de 1967, mais dois, um de 1978 e outro de 1981 e um apontado a 2010. A ver se consigo ver algum.

Não me convenceram as cento e tal páginas da Cavalo de Ferro, editadas demasiado finas, com muitas frases promocionais pela frente, por trás e no fim mais uns chamamentos à leitura de outros livros, mas perdoo-lhes pela qualidade da escrita de Rulfo que não se perde na tradução bem anotada.

Mas isso sou eu que enquanto houver tinta e papel onde é impressa, vou reparar nestas coisas e de caminho aconselho este blog para quem gosta de livros, das suas capas e lhes dedica um amor táctil como dizia o Caetano.

Lá para terça-feira vai renascer Lisbeth Salander das cinzas e vou-lhe dedicar horas de insónia bem passadas.