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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

War Games.

Em Novembro de 1984 (ano com mais simbolismos que muitos), fazia eu um terço da idade que tenho agora, quando os meus pais decidiram gastar quase quatro dezenas de contos num ZX Spectrum. Tanto dinheiro para 48k de memória.

Já na altura eu pensava que os computadores eram coisa para escrever e trabalhar, mas permita-me a idade, jogar a partir de cassetes pirata de capa fotocopiada era um prazer sem igual. Lembro-me de jogar "Match Day" com o meu avô, por exemplo, mas mais que isso, lembro-me de longas tardes com um amigo, perdido em jogos de guerra como "Arnhem" e "Desert Rats". Muito devia doer aos meus pais que eu não percebesse como era terrível, essa coisa da guerra e para esfregar sal na ferida, eu fazia também tanques em kits de plástico, que pintava e salpicava de lama (mas não de sangue) para lhes garantir o realismo máximo.

Via "World of Spectrum" tive recentemente uma recaída que me levou de volta a esse mundo de paciência, gráficos simples, sons monótonos, em que o tempo real não existia e por turnos lá iamos tentando recriar episódios difíceis da história. Aproveitei a embalagem e vi o "A Bridge Too Far", um pastelão sobre uma das últimas derrotas aliadas às mãos do Eixo com um elenco de filme catástrofe, que se calhar até é.

Ao longo dos anos, fui voltando à estratégia como um dos meus géneros favoritos e assistindo à evolução do género com a evolução da tecnologia. Hoje, em consolas e computadores, os jogos de estratégia, de guerras reais e imaginadas acontecem em tempo real, em três dimensões, com mais realismo, mas ainda distantes do horror. Afinal de contas... são só jogos.