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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Como ignorar Chico Buarque, não é?

A Isabel Coutinho na excelente entrevista do Ípsilon faz esta pergunta a certa altura e eu dou-me imediatamente como culpado, porque realmente não sei, não consigo ignorar o "gajo". Isto desde os tempos dos primeiros amores, a saber um vinil do "Meus Caros Amigos" que havia por causa dos meus pais e tinha um belíssimo risco por cima do começo das "Mulheres de Atenas".

Nunca duvidei que o senhor em causa pudesse ser um bom contador de histórias, não muito longas, suficientemente densas e susceptíveis de serem cantadas enquanto se lê e ele tem-no provado sem grande margem para dúvidas. Acho graça que na crítica da LER, curtinha a despachar, lhe apontem o marxismo como defeito sem deixar de elogiar o estilo.

Noutro dia estava a ouvir o "Quem Te Viu, Quem Te Vê" e achei que já ali havia uma belíssima história que podia ser contada em livro, se calhar um bocado marxista para o gosto de alguns, mas há gostos para tudo, não é?

Continua a ser o meu favorito, o "Construção", com o seu tom de desalento, entre o subúrbio e a favela, Orly e um salão de baile, afinal toda uma vida, uma dúzia de (lá está) histórias em tom menor e não mais que meia hora e picos de disco. Por essas e por outras continuo a não conseguir ignorá-lo. E só por isso, fica aqui o "Cotidiano".