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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

O Japão é um lugar estranho.

Vi recentemente "Tokyo Sonata" e "Okiribito" (não sei se já tem título em português, em inglês é "Departures" e ganhou este ano o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro). Ambos vão directos ao âmago da família japonesa e dos papéis desempenhados por homem e mulher no seu seio, com música boa a ajudar (piano no primeiro caso, violencelo no segundo), não só à banda sonora mas ao próprio desenvolver da narrativa.

Vi a minha quota parte de filmes japoneses, escassa, confesso, dominada por Kurosawa e Miyazaki, com algum terror, algum anime pelo meio, nomeadamente aquele que, por motivos além do cinema me interessava, como "Akira" ou "Ghost in the Shell". Li alguma manga e ainda recentemente me fizeram descobrir "Death Note". Li também alguma banda desenhada mais "marginal" no Japão, daquela que provavelmente não publica nos milhares de páginas publicados semanalmente pela Kodansha, como por exemplo isto.

Conheço alguns exemplos de cultura ocidental que dão a sua espreitadela ao Japão, de "Ghostwritten" a "Letters From Iwo Jima" a "Kill Bill". A Monocle gosta muito de Tóquio também e sushi é uma das minhas iguarias favoritas.

Esta semana li também o livro de Peter Carey que dá título a este post e fiquei a pensar que, nos meus planos de viagem, o Japão em geral e Tóquio em particular nunca figuraram como prioridades. É claro que tenho curiosidade, mas também um medo irracional de me perder. Não gosto de ter guias nos lugares que visito, gosto de liderar a minha própria exploração. Talvez quando arranjar um guia como deve ser, mude de ideias e me decida por um contacto em primeira mão com esse lugar estranho.