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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Michael Mann

Há anos, quando eu ainda não distinguia um "executive producer" de quem serve os cafés, lembro-me de ter uma conversa com o dr Bakali em que ele me dizia que o Michael Mann conseguia meter em todos os episódios do "Miami Vice", um momento de cinema de qualidade, um toque de diferença no que era, a todos os títulos, uma série policial típica dos anos 80.

Vem isto, claro, a propósito do "Inimigos Públicos" em que, embora recuando a 1933, Michael Mann se continua a divertir a filmar personagens de um lado e de outro da leia que gostam de roupas caras e carros rápidos, como o próprio Dillinger diz a certa altura. Outros temas da obra de Mann voltam a estar presentes no filme, nomeadamente na forma feminina como hipótese de redenção de uma vida de crime, de salvação não concretizada, ou no duelo entre lei e crime, personalizado em figuras carismáticas de um lado e de outro, dificultando a identificação ao espectador. E a noite, claro, que Mann continua a explorar cinematograficamente, usando agora a alta definição digital como matéria plástica de eleição, na cidade ou nos bosques.

Para quem conhece a obra de Mann, "Public Enemies" é sobretudo isso, uma obra de maturidade de um autor que explora e aprofunda alguns dos seus temas favoritos, num universo que já trabalhou inúmeras vezes, agora recuando três quartos de século. Não deixa de ser mais um filme excepcional, entre a acção e o trabalho das personagens, que vale a pena ver.