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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Da língua.

Há um pequeno rectângulo no mosaico de ilustrações da capa da última Monocle que menciona Portugal. Mesmo antes do final da revista, descobre-se uma reportagem em texto e imagem de umas 15 páginas (creio) sobre os Jogos da Lusofonia. É interessante perceber como, vistos de fora, os Jogos da Lusofonia são uma grande festa multicutural, parte de uma opção política de influência global baseada na língua.

Vista daqui, a política portuguesa para a língua respectiva é um caos político de ministérios que adoram embirrar uns com os outros e raramente se entendem: Cultura, Negócios Estrangeiros e Educação, só para mencionar os mais importantes. Perde-se mais tempo nas minudências e implicações com o Acordo Ortográfico (na maior parte dos casos com desconhecimento de causa) do que a discutir o que raio é essa coisa de "uma política da língua". E há sempre a proposta de fazer um museu e arrumar o assunto.

Não tenho nenhuma ideia mirabolante para a política da língua, mas algumas coisas parecem-me evidentes. Portugal, país de origem da dita língua, é cada vez mais o país com menos falantes da dita. Há sempre qualquer coisa de neo-colonial numa política transnacional da língua. A língua portuguesa é rica, vibrante, plena de invenção e mutação, nomeadamente ao nível da escrita, do romance, da poesia, da canção. Os media (os portugueses, os outros não sei) tratam a língua abaixo de cão, nem sequer a sabendo falar, muito menos escrever. É talvez consequência de um sistema educativo que se marimba cada vez mais na dita língua.

Eventos como os Jogos da Lusofonia, políticas abertas e cruzadas de emigração, promoção da cultura e da educação miscigenada, global e admitindo a diferença dentro da língua portuguesa, das múltiplas culturas que tocou, parecem-me ser o mais interessante, divertido e produtivo caminho de futuro. Entendam-se, por favor.