Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Da viagem.

Toda a gente devia viajar. Nem toda a gente pode, mas toda a gente devia. O Erasmus foi das grandes, talvez a única realmente grande invenção da União Europeia. E digo isto sem o ter feito. É um programa realmente transnacional que promove a comunicação, a partilha e a percepção das semelhanças e diferenças que fazem a Europa. O único cartaz do PSD dos últimos meses para que olhei sem um revirar de olhos escarninho foi aquele das eleições europeias que falava num Erasmus para o primeiro emprego. Sim, era demagogia de um tipo que provavelmente nem no Parlamento Europeu vai pôr o seu rabo gordo.

Viajantes, turistas, emigrantes na Europa podem morrer de saudades da sua terra, ser extraordinariamente xenófobos na mesma, não aprender nada, ter medo, manter-se nos percursos pré-definidos em bandos ovinos de monumento em monumento - quantas fotografias haverá hoje no mundo em que apareça a torre Eiffel? - mas de uma coisa estou certo. Perceberam que existe uma Europa. Que é feita de semelhanças e diferenças, de confronto e partilha.

Aqueles que experimentam passar mais de três noites no mesmo sítio, ancorados no mesmo hotel e se arriscam um pouco mais, descobrem ainda mais, percebem ainda mais. Sim, eu sei que isto é um post contra a corrente, que há a Gripe A e até o Markl já diz que nem ao cinema vai, mas a verdade é que mesmo em tempos de crises de várias naturezas, o aeroporto da Portela, continua a bater recordes de número de passageiros diários.

Não me interessa se é pela arte de Florença, pela vida nocturna de Madrid, pelo Futebol de Manchester, pelos vampiros da Transsilvânia, pelas praias da Croácia ou pelos lindos olhos de húngaras e húngaros, mas... toda a gente devia viajar.