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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Sacanas Sem Lei.

"Sacanas Sem Lei" é um  filme soberbo. Tem estilo clássico Tarantino, melhorado pelo devido amadurecimento, é uma fábula sem medo sobre a Segunda Guerra Mundial, "perde" tempo em diálogos construídos com paciência para desenhar a tensão no aproximar da câmara, no enriquecer das personagens e da nossa relação com ela e tem, claro, um amor ao cinema como arte e entretenimento que arrebata.

Sobre este último tema, há já muitas referências na net e mais vão, estou certo, pulular. Sem querer estragar o filme a ninguém, chamo a atenção apenas para o plano em que Shosanna foge de casa, filmado de dentro para fora, no recorte da porta, à maneira de John Ford em "The Searchers". Mais não digo sobre estas coisas, cada um que veja e descubra o que lhe apetecer.

O filme sobrevive até a uma sessão no Colombo a dia de semana à noite, sala cheia. Eu sei que os tempos do ritual do "escurinho do cinema", do respeito e empatia entre espectadores e ecrã, mas há limites, não?

Atrás de mim, três amigos já tinham visto o filme e discutiam a evolução da intriga em voz alta, antes, durante e depois da sessão. Ao lado esquerdo, duas amigas riam de quase tudo. Há momentos divertidos, mas... Bom, do lado direito, um adolescente entediado passou a sessão agarrado ao telemóvel, trocando mensagens no telemóvel que vibrava obediente de cinco em cinco minutos. Percebi que devia ter sido arrastado para a sessão pelos pais, sentados ao seu lado. O pai ainda tentou um arremedo de censura no intervalo, mas foi posto no lugar pela voz birrenta do filho.

E a tudo isto sobreviveram as imagens, construídas ao pormenor, os diálogos, cada um como uma partida de xadrez, a banda sonora spaghetti, o filme-dentro-do-filme, as explicações, títulos e outros grafismos, ajudando a explicar a acção, a violência vermelha e o preto e branco dos anos quarenta.

Vão ver, mas escolham bem a sessão.

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