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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Canto Ostinato

O meu primeiro contacto com o compositor minimalista holandês Simeon Ten Holt aconteceu algures no final do século passado numa conferência sobre design em Amsterdão. Sim, design, numa concepção abrangente do termo que incluia design sonoro, visual, ambiental, experimental. "Doors of Perception" creio que era o nome do evento.

Na altura, num concerto ao vivo, um jovem pianista interpretou duas das Soloduiveldanz que creio poderem traduzir-se como Danças a Solo com o Diabo, um belo conceito musical.

Recentemente, contudo, tenho ouvido Canto Ostinato, outra obra de Ten Holt, para vários pianos, completamente hipnótica e obsessiva. É um fluxo de melodias repetidas à exaustão que vão variando e sendo substituídas.

Hoje, por motivos que agora não vêm ao caso, percebi como o Canto Ostinato resumia bem uma das sensações que sempre me embalou em relação à vida, à minha, pelo menos. Esta sensação de haver durante um tempo um tema dominante que se repete à exaustão e me embala ou hipnotiza ou obceca e depois, geralmente num momento preciso, muda às vezes sem que eu quase me aperceba, outras de maneira inesperada, outras de maneira esperada mas não por isso menos avassaladora.

Creio que "Canto Ostinato" resume bem tudo isso.