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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Férias, Filmes, Livros

Parecendo que não, agora tive melhor desculpa para deixar o blog moribundo. Férias. E férias são um estado de espírito, não necessariamente uma distância. Além da ausência de trabalho, claro.

Vi alguns filmes excepcionais: "Eastern Promises", "Este País Não É Para Velhos" e "Corações".

O primeiro é um Cronenberg intenso e gostava que o Viggo Mortensen se tornasse um actor fetiche do senhor, tão bem transmite a dureza física e sem compromissos do cinema do canadiano. Os actore são, aliás, todos excepcionais, num filme que, na sua imagem de uma sub-Londres, me lembrou também o "Dirty Pretty Things" do Stephen Frears.

"Este País Não é Para Velhos" adiciona à crueza desiludida do oeste americano, o sentido de humor dos irmãos Coen. O livro de Cormac McCarthy é cru e límpido, pós-apocalíptico sem o ser tão obviamente como "A Estrada", de grandes paisagens e poucas palavras, violência sem sentido, famílias e amor perdidos em diálogos de excepção. O filme adiciona-lhe um dos penteados mais ridículos da história do cinema (que só aumenta o poder da representação de Bardem), uns Mariachis e mais uns toques que só os Coen poderiam adicionar. Onde Fargo era um filme sobre uns Estados Unidos falhados no meio da neve, este é um filme sobre uns Estados Unidos falhados no meio do pó e do sangue. São os meus dois favoritos deles e isso é dizer muito.

"Corações" é francês, de Alan Resnais, com um ritmo de valsa, toque suficiente de ironia e perversão, assume completamente a sua origem teatral, com uma coragem visual que lhe vem provavelmente também daí, entre a neve e as múltiplas cortinas, a luz e a limpidez inatacável dos autores e dos seus diálogos.

E li. Além do Cormac McCarthy, acabei o último do David Leavitt, li também um da Doris Lessing, o primeiro do David Mitchell e comecei mais uns entretanto, entre eles o novo do mais-que-famoso Carlos Ruiz Zafon.

Chega de dizer que estou vivo e consumindo cultura como sempre. Voltei ao trabalho.