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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Ovo. Galinha.

Entrei nos bosques com o "Anti-Christ" do Trier e acho que finalmente o chamado torture porn tem um art flick. Não estou a dizer mal. Não tenho nada em particular contra a pornografia. Acho aliás que o movimento democratizador que a Internet levou a quase tudo pode ajudar a uma certa liberalização e e vulgarização de costumes, o que pode não ser mau, só para servir de escolho à irritante e omnipresente corrente do puritanismo.

Contra a tortura tenho tudo, note-se. Contra a violência, geralmente também, mas é um dos assuntos em que ando a "trabalhar" para o meu próximo livro, esse e os bosques. Bosques do mesmo género dos do realizador dinamarquês. Um género feito a meio caminho da violência entre o masculino e o feminino, esse mais natural e mais indefinido de todos os espaços. Seja como for, quando virem o filme, todos formarão a sua opinião e tenho a certeza que um mal colocado "deplorável" sairá de quase tantas bocas como as que por este dia andam a fazer o Saramago rir.

Voltando ao que ando a escrever, não chego a perceber em que início e em que fim de um círculo estão a tristeza e a escrita. Alguns dirão que é só "fado português", encolhem os ombros e bebem mais uma imperial. Outros dirão que a palavra "tristeza" é só mais uma daquelas que já nem faz sentido de tanto uso mas a verdade é que a maneira como me sinto muda quando escrevo. Será que escrevo por ela mudar? Será que muda por eu escrever?

Depois de o anticristo do Trier me ter feito entrar nos bosques e a diabolização do Saramago me ter feito rir, se calhar do que eu preciso mesmo é de um café. Mas se conhecerem alguém que não consiga gostar, como cinema, dos primeiros dez minutos do filme do Trier, façam-me o favor e não me apresentem essa pessoa.