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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Diversidade, ficção, televisão, inovação.

Noutro dia tive uma conversa a seguir ao jantar a propósito destas e outras coisas. E fui encontrar aqui e aqui, algumas questões que o Jorge Mourinha coloca e emparelham bem com as minhas.

Tudo isto começou porque o Telejornal fazia 50 anos e o sinal de inovação que deu em directo e no ar, foi ter o Vasco Trigo a gravar num telemóvel e a mandar a emissão em directo para um site internacional onde o resto do pessoal o podia ver. Grau de inovação nacional? Nada. Novo-riquismo tecnológico inconsequente? Tudo.

Mas as minhas questões com o serviço público e a inovação vão bem mais longe e mais fundo. É verdade que a RTP é a única entre os generalistas que investe um pouco mais em ficção, fora do monolito telenovelesco da TVI e das tentativas de seguidismo da SIC, mas fá-lo de uma forma dispersa, incoerente, não programática, com zero de inovação. Se algum canal investiu alguns poucos tostões a descobrir gente nova criativa e a fazê-los ir mais longe nos últimos anos, foi a SIC Radical (Gato Fedorento e Bruno Aleixo, para citar dois exemplos).

A RTP transmite touradas e futebol em directo, preenche os dias com o mesmo formato de "talk show" entre a caserna e a porteira (com todo o respeito para as ditas) dos seus concorrentes, entala o Telejornal entre concursos, tem um site desorganizado e mal gerido, cuja noção de inovação é estar no Twitter, no Youtube e no Qik e pouco mais.

Sim, há séries na RTP. Mas não há um investimento sério na escrita de ficção, concursos de ideias com pés e cabeça em que se deitem fora dezenas de projectos para ficar com uma mão cheia deles realmente bons. Não há investimento nas escolas, nas universidades, nas escolas técnico-profissionais onde jovens criativos devoram televisão internacional "downloadada" e acabam a fazer câmara para concursos sem interesse. Não há investimento em projectos criativos multi-plataforma que usem a Internet, as plataformas sociais e de telecomunicações, a interactividade, a escrita realmente criativa, a flexibilidade do digital. O pouco que houve, se o houve a sério, foram compras dispersas quase a contra-gosto, sem acompanhamento e investimento, sem exigência de qualidade.

Peço desculpa, mas eu gostava que o Serviço Público fosse outra coisa.