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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Voltou a acontecer.

Voltou a acontecer. Estou a ler quatro livros ao mesmo tempo. A saber, "The Complete Plays" de Sarah Kane, "Journeying Boy - The Diaries of the Young Benjamin Britten 1928-1938", seleccionados e editados por John Evans, "A Single Man" de Christopher Isherwood" e "Generation A" de Douglas Coupland.

É claro que são leituras muito diferentes e por isso compatíveis em momentos diversos do tempo livre que tenho.

As peças de Kane são uma descoberta e um choque (obviamente). Devo a sua descoberta a este post da Poesia Incompleta e a porta que ele abriu revelou uma violência visceral que ainda ando a explorar entre o fascínio e o medo. O tema da violência e da sua relação com a humanidade em nós seguirá um destes dias com um volume do senhor William T. Vollmann que me espera na estante.

Quanto aos diários de Britten, são deliciosos. Comecei por folhear ao de leve, li uma, outra entrada, depois alguns dias seguidos, na escola, com os pais, em Londres, com Auden e demais notáveis, criticando compositores e intérpretes contemporâneos, agarrado à BBC, passeando, conversando, compondo, tomando chá e comecei a viajar, a querer viajar. Vão ser muitas horas de prazer, explorar assim, intimamente, dez anos da vida de um génio musical em formação.

Christopher Isherwood, curiosamente, aparece referido amiúde em determinada fase dos diários de Britten. Isherwood viveu aliás em quase todo o lado, incluindo Sintra e Berlim ("cabaret, anyone?"). "A Single Man" foi tornado filme por Tom Ford e há-de estrear um destes dias, abunda em mim a curiosidade. Enquanto isso não acontece, vou descobrindo esse inglês viúvo na Califórnia do princípio dos anos 60.

Douglas Coupland é uma paixão literária antiga que me chega do início da vida adulta e a ele finalmente volto depois de algum tempo de ausência, num romance que nos coloca alguns anos no futuro, estratégia que muito tenho apreciado em outros autores (Kazuo Ishiguro, William Gibson, David Mitchell e Michael Cunningham, para citar alguns), como forma de explorar a velocidade do presente sem entrar deliberadamente no universo da ficção científica. E começa de uma forma deliciosa:

 

How can we be alive and not wonder about the stories we use to knit together this place we call the world?