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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Generation A - Douglas Coupland

Se eu não gostasse do Douglas Coupland, podia dizer que ele era uma espécie de Paulo Coelho para licenciados com a mania, capazes de digerir um sem-número de referências culturais pop por minuto e de dormir mais descansados ao identificarem-se com a tendência alegórica que a sua escrita sempre teve. Se eu não gostasse realmente dele, diria que o facto de o seu último romance "Generation A" se situar algures num futuro próximo, acentuou essa tendência para a parábola pretensiosa, ao desligar-nos da percepção precisa do nosso presente a que nos habituou para reforçar o lado simbólico com uns pós de futurismo ficcionado.

A questão é que eu gosto dele e embora possa admitir que ele caminha por vezes perigosamente na fronteira do acima descrito, não chega a realmente ultrapassá-la.

Como um bom escritor de ficção científica, política, social que percebe que o nosso presente é cada vez mais difuso, Coupland avança-nos uns anos no futuro, para uma sociedade que se limita a acentuar tendências actuais. Esse acentuar, contudo, parece-nos fazer resvalar para um abismo sem retorno possível. Reconhecemo-nos nesse futuro, mas percebemos que fomos mais longe do que desejávamos. Esse pessimismo subjacente é sem dúvida o mais interessante no livro, mas tentar resolvê-lo é talvez precipitado.

Não estou certo se não há uma dose de nostalgia tendendo para um optimismo pouco fundamentado no desenlace do enredo, à volta da fogueira, à volta de histórias, um pouco neo-tribal-narrativo.

Logo se vê.