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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Tetro.

A primeira coisa que acho é que o Francis Ford Coppola andou a ver os filmes do Almodovar. O que não é uma coisa má, muito antes pelo contrário, veja-se! Acho muito bem que os grandes realizadores se vejam uns aos outros. Bom, talvez seja só da minha parte uma maneira rebuscada de dizer que achei "Tetro" um filme muito Almodovariano: o amor e o ciúme, o passado e o presente, os homens e as mulheres um pouco à margem da sociedade pelo lado criativo, o teatro dentro do cinema, o humor e o melodrama e a Carmen Maura, claro, a grande Alone.

Dito isto, gostei muito de Tetro, da sua beleza formal, da sua exploração da família, do que a constrói e a destrói, dos seus tempos a fazer e desfazer os laços que unem as suas personagens, da construção das próprias personagens, na revelação das suas motivações e na evolução das suas atitudes. Gostei de Buenos Aires e da Patagónia e do olhar belíssimo de Coppola sobre os lugares que com facilidade de mestre circula entre estes e os corpos, seja a intensidade na expressão dos dois irmãos, seja a exuberância de Josefina ou a contenção de Miranda.

Há qualquer coisa de tragédia grega na história, não?

O filme é "só" um melodrama familiar que envolve um escritor, uma grande figura e a sua sombra sobre as gerações que se lhe seguem, nada que o cinema não tenha já explorado e talvez isso explique o tédio de alguma crítica, mas eu perante um filme destes não me consigo entediar, só emocionar.

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