Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Vem aí o Euro.

Para que não restem dúvidas, logo no começo, sou do Benfica. No que ao futebol diz respeito, vivo deprimido, nos últimos anos, por causa disso. End of Story.

Mais que isso, contudo, acho deprimente ser adepto de futebol em Portugal. Não estou a comparar com outros países. Não estou a dizer que é pior. Estou só a dar a minha opinião. Joga-se de um modo geral mal. Nenhum clube consegue segurar jogadores realmente bons. Nem eles querem, quando querem progredir como pessoas e como profissionais. E quando os segura, a maior parte das vezes, os jogadores deixam-se aconchegar na preguiça dominante entre os praticantes da modalidade. A maior parte dos jogadores nem atletas razoáveis são.

Arbitra-se mal. Muitas vezes só mal, outras com má intenção. Dirige-se pior. Há salários em atraso, processos em tribunal, promiscuidades de todos os tipos. De tudo um pouco.

Nos estádios pratica-se a intolerância. E aceita-se que as claques sejam escoltadas por centenas de polícias como rebanhos de animais. Diz-se que há civismo e fair-play quando não há violência física. É esse o nosso limite, não dar porrada no outro. Tudo o resto é aceite. Eu sei, aquilo puxa pela irracionalidade.

A nossa selecção não ganha nada. Falta-lhe um bocadinho assim. Será por causa de tudo isto?

 

Não gosto do senhor Scolari. Acentuou a irracionalidade. Se calhar era só o material que estava à mão. Levou-nos longe com discursos psicologizantes, com religião de pacotilha, com fervor e um tom rebelde, de que tanto gostamos. Assume-se como "pai" de uma "família". Também gostamos muito disso, de um modo geral, neste país de brandos costumes. Teve ao seu dispor alguns jogadores brilhantes, no Brasil e em Portugal. No Brasil mais brilhantes, por isso foi mais longe.

Soube fazer amigos e inimigos com mestria, soube construir uma selecção baseada na emotividade primária e preguiçosa que rege o nosso futebol, atraiu para ela as mulheres como adeptas, reduzindo a intolerância latente e fazendo crescer o fervor, mas mais que isso não. Nunca o vi fazer uma substituição inteligente. Nunca o vi montar um esquema táctico que demonstrasse percepção e inventividade, que não fosse o óbvio. Dito isto...

Venha o Euro!

1 comentário

Comentar post