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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A Cidade Mais Fotografada do Mundo

Paris é a cidade do mundo mais visitada por turistas. Segundo as estatísticas, foram em 2009, quase 15 milhões de visitantes internacionais. São estatísticas descobertas via Wikipedia, extrapoladas das informações constantes em informações do Gabinete de Turismo de Paris. Quem sou eu para duvidar.

Eu próprio contribuí para esta estatística recentemente, de máquina fotográfica ao pescoço e tudo, e fiquei a pensar se seria Paris, por consequência, também a cidade mais fotografada do mundo. Aparentemente não é, é Nova Iorque, segundo esta notícia do Huffington Post, e Paris aparece apenas em quarto. Já segundo a revista LIFE, o lugar que ocupa é o terceiro, Nova Iorque em segundo, Londres em primeiro. Ambas as notícias me parecem enviesadas pelo método de análise. O da LIFE não conheço, mas o Post cita um estudo que analisou 35 milhões de fotografias do Flickr, um serviço em que, apesar da pegada global, domina o mercado americano.

Mantenho por isso que Paris é provavelmente a cidade mais fotografada do mundo. Pude mesmo constatar isso empiricamente e fotografei dúzias de pessoas em pose, de máquina na mão, fotografando-se e mesmo fotografando outras pessoas que também fotografavam. Três exemplos abaixo.

É claro que existe aqui uma relação de causalidade circular. O número extraordinário de imagens que existe de uma cidade é simultaneamente efeito e causa da sua popularidade. Se Nova Iorque é provavelmente a cidade mais icónica do mundo, Paris representa o que a Europa é para o mundo: antiga, cheia de cultura, monumentos, ruas estreitas e largas e... turistas, claro.

Ainda mais interessantes, são estas representações gráficas dos sítios onde são tiradas as fotografias em cada cidade. Note-se a diferença entre as fotografias tiradas por "locais" e "turistas". Lá está Paris, Nova Iorque e também Lisboa. Vale a pena dar uma espreitadela.

Há portanto milhões de habitantes, milhões de turistas e milhões de fotografias tiradas por ambos. À cidade sobrepõe-se a obscena multiplicação exponencial das imagens da cidade. No fim disto tudo, só me ocorre de novo o conto de Borges, "Del Rigor En La Ciencia", que deixo aqui abaixo lido pelo próprio.