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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Romantismos.

Aconteceu outra vez. E aconteceu pela primeira vez. A história conta-se assim.

Fui comprar uns óculos novos. Apeteceu-me trocar de visual. Tive de preencher uma ficha de cliente, o sistema informático tinha mudado, o que é o tipo de coisa que os sistemas informáticos fazem de vez em quando, por vezes sem avisar ninguém. Como resultado, tive de responder à pergunta "profissão?" No sistema informático anterior, provavelmente terei respondido uma generalidade do tipo "consultor", mas no novo, após um breve segundo de hesitação, pela primeira vez respondi outra generalidade, "escritor". O preenchimento das informações em falta continuou, mas em breve vinha a pergunta seguinte, calculo que já não para o sistema informático.

- Desculpe a curiosidade, mas... escritor de quê?

- Romances.

- Romances! Adoro romances. Mas não o conheço. Onde posso comprar os seus livros?

- O mais fácil é online, talvez na fnac ou na wook. - Na fnac online, na verdade, por um milagre qualquer da distribuição, aparece indisponível.

- Tenho de procurar, gosto muito de histórias românticas.

E foi aqui que aconteceu outra vez. O género literário romance foi tomado pela narrativa de conteúdo romântico, nem sequer no sentido que a história da literatura lhe atribui, mais no sentido telenovelesco do termo. A culpa é provavelmente de gente como o Nicholas Sparks, mas não foi a primeira vez que me aconteceu. Em algumas das poucas entrevistas que dei aquando de lançamento de livros, sempre houve gente que me perguntou se eu era romântico, visto que escrevia romances. Foram casos em que a entrevistadora não me tinha lido, sabia pouco do assunto e na verdade livros não faziam grande parte do seu quotidiano.

Lembro-me que no "Regresso a Barcelona" chegaram mesmo a perguntar a um amigo se ele era romântico e ele não percebeu o porquê da pergunta. O que é grave é que muitas vezes eu próprio alinhei no embuste. Chega.

Não está em causa se nos meus livros se fala de relações, ligações, perdas e suas consequências. Não está sequer em causa que, na promoção, a Oficina do Livro tem optado sempre por puxar por esse lado. Mas quando aparece escrito na capa que se trata de um romance, não é disso que se fala, mas sim do género literário. Mãe, se estiveres a ler este post, faz um comentário a explicar o que é um romance, por favor. És muito mais competente para isso do que eu.

Até porque eu tenho pouca paciência.

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