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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Pelos bosques.

As fotografias são de Santiago Mostyn (as duas primeiras) e Stefani Pappas (a terceira). O texto é um rascunho meu.

 

Fecha os olhos e lembra-se bem de correr pelos bosques, quantos anos tinha? sem saber onde ia pousar os pés, evitando por pouco a sombra das árvores, arbustos a arranhar-lhe as pernas, correndo, a t-shirt encharcada sobre a pele, de baixo para cima, dos calções para o pescoço, ainda o cheiro a arder-lhe nos olhos, depois de nadar de noite na piscina. Os primos desistiam de esperar por ele e quando voltava, nadava sozinho, a água e o cloro a picar-lhe os arranhões. Os braços afastando o escuro, desengonçados. O medo no peito, o fôlego a fugir-lhe, o peito a arder. Não posso mais, não posso mais. Pára junto a uma árvore. Quanto correu? Pára debruçado sobre o chão, as mãos pousadas nos joelhos. Deixa-se cair e fica a respirar ainda com dificuldade. Deixa-se cair no chão e por entre o vento e as árvores, lá em cima, longe há estrelas e talvez nuvens, sim, já nuvens. Que estranha a sombra mais clara das nuvens no escuro da noite. O que é que eu faço?