Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Via Crucis

Ao longo da Idade Média, a leitura da parte dos evangelhos dedicada à Paixão de Cristo, que acontecia durante a Semana Santa, foi evoluindo para uma interpretação, primeiro "entoada", depois "cantada", num processo que culminou já após a Reforma nos monumentos musicais protestantes que são as Paixões de Bach, segundo São Mateus e segundo São João.

Para além de todo o significado religioso da narração e interpretação dessa última semana de Cristo, a intensidade dessa Paixão prestou-se a ser colocada em música ao longo dos séculos de forma brilhante. Embora ateu, sou um devoto confesso da "Paixão segundo São Mateus" de Bach, não podia deixar de mencionar "As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz" de Haydn ou a "Passio" de Arvo Part que vai ter interpretação na Gulbenkian por estes dias. Para além destas formas eruditas, as representações musicais da Paixão contudo, tiveram também sempre presença popular na Páscoa. Tradições que ainda hoje subsistem em todo o planeta.

Christina Pluhar (na fotografia), alaudista, com o agrupamento L'Arpeggiata, o brilhante contratenor Philippe Jaroussky e a soprano Nuria Rial, juntou-se a um agrupamento corso de nome Barbara Fortuna, para apresentar o seu caminho da cruz, combinando música erudita do século XVII (composta por Sances e Merula) com música tradicional da Córsega. O resultado é uma Paixão "inventada" de nome "Via Crucis", de uma coerência absolutamente surpreendente, apesar da diversidade das fontes.

Aqui abaixo ficam em exemplo, "Maria (sopra La Carpinese)" pelas vozes corsas e uma canção de embalar napolitana, "Ninna nanna al bambino Gesù (Napoletana)" por Philipe Jaroussky.