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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Rango.

Uma amiga com quem eu comentava noutro dia, que "Toy Story 3" era um dos grandes filmes do ano passado, dizia-me que tinha dificuldade em ver animação hoje em dia, porque visualmente, os filmes lhe pareciam todos ter o mesmo tom lustroso e plástico, como se em todos, todas as personagens fossem brinquedos. O caso do filme de Lee Unkrich é provavelmente dos únicos onde isso se perdoa facilmente.

Isto serve, contudo, de introdução para dizer que "Rango" de Gore Verbinski é diferente. A paleta de cores e texturas, o estranho elenco de personagens do deserto, os secundários de peso (entre eles Alfred Molina, Bill Nighy e Harry Dean Stanton) e um coro grego de mochos mariachi dão o tom. O filme ganha-se, claro, no brilhante Johnny Depp, que muitas vezes me soou saído directamente do "Fear and Loathing in Las Vegas". Aliás, não é o Hunther S. Thompson que vai naquele descapotável, quase no início? Mas isto sou eu, se calhar é só o Depp em modo cowboy delirante em vez de pirata delirante, pelas mãos do mesmo realizador.

O argumento bebe do que há de mais clássico entre os westerns e as raízes são mais que assumidas. Atenção ao Eastwood (não é ele, é o Tymothy Oliphant, mas que se lixe, é ele mesmo). Tudo o resto é bom divertimento com um ritmo impecável. E raios, que o filme dá sede...