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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Micro História - A Cortesã e o Vassalo

Era uma mulher extraordinária. Não particularmente bela. O nariz tinha talvez excesso de personalidade e quando se irritava, cerrava os lábios até desaparecerem. Os apetrechos da sua vida de cortesã, contudo, mais do que compensavam em brilho de jóias e roupas, na perfeição dos cortes de cabelo, na pele sedosa e bem tratada.

Vivia publicamente nesse mundo dos ricos. Era vista com eles. Com eles dormia e acordava, aparecia em fotografias, jantava, dançava, bebia até quase se embriagar, sem nunca arriscar perder o controlo da sua figura majestosa e sedutora.

Vivia mais alto que a torre de qualquer castelo, num décimo quarto andar que lhe oferecia larga vista sobre todos os hipotéticos domínios da sua sedução. Um dia, contudo, no elevador, o seu olhar caiu sobre um jovem de ar belo e distraído, tez morena, cabelo mais longo do que o calor aconselharia.

Não lhe foi difícil em três dias seguidos, garantir que subia ou descia no elevador sobre o olhar voraz daquele prospectivo vassalo. Ao terceiro dia convidou-o a entrar no seu apartamento, por alguns insantes, na sua vida, pelo tempo que demorasse o prazer, no seu corpo.

Estavam ambos deitados na larga cama quando ele falou um pouco de si e ela percebeu a sua tenra idade, a sua falta de ambição (que poderia eventualmente ter compensado a idade), o seu coração condenado a ser plebeu.

Para não o esquecer como momento de beleza e prazer, sendo inevitável que dele teria de se afastar, mandou-o matar no dia a seguir, para resolver o problema.