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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Tiago Sousa e a Merzbau

Merzbau era uma obra algures no espaço que surge entre a arquitectura, escultura e pintura, do artista alemão Kurt Schwitters. Em permanente evolução e elaborada em performance colaborativa, não só por Schwitters, mas por alguns amigos seus, a Merzbau foi iniciada e re-iniciada pelo menos três vezes, sendo, pela sua natureza, uma obra de história permanente. Basta dizer que uma das versões foi destruída num bombardeamento aéreo a Hannover durante a Segunda Guerra Mundial e outra foi consumida pelo fogo na Noruega.

Não é meu objectivo, contudo, dissertar sobre este projecto artístico, tão simbólico das ambições da arte no Séc. XX, reflectindo sobre a sua própria natureza e tentando desconstruir-se e reconstruir-se nos limites do espaço e tempo do humano. Queria era chamar a atenção para um projecto que pediu emprestado o nome Merzbau para se etiquetar.

A Merzbau é uma netlabel que nasceu como netzine, propondo-se abordar universos alternativos (porque online) do universo musical e propondo também modelos de negócio mais próximos da revolução online do que da indústria de edição de música, tal como a conheciamos até aqui há uns anos. É fruto sobretudo da vontade de Tiago Sousa e tem chamado a atenção de imprensa e majors.

Perdoem-me o voltar ao mesmo, mas gostava de chamar a atenção para a música do próprio Tiago Sousa, em piano e não só, experimental no limite do silêncio, em ambientes que, desde que o descobri, me invocam o apartamento (quase) vazio dos Wartet e aquele Outono da história de Tom e das Três Bruxas. A música de Tiago Sousa está disponível sob uma licença Creative Commons no site da Merzbau e pode ouvir-se igualmente no seu perfil no MySpace.

Aqui mesmo ao lado, têm em vídeo um exemplo mais, agora ao vivo. Até porque acredito sinceramente que é ao vivo que o amor dos músicos à sua música e aos seus instrumentos mais se materializa. Mas mais sobre isso noutro dia.