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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Mais publicidade descarada.

A Portugal Telecom (onde trabalho) contém, como diria o poeta, multidões. Entre essas multidões estão várias pessoas que editaram já livros de vários tipos. Nem todos serão escritores (eu próprio tenho dificuldades com a palavra) mas existem. Além disso, existem também, em espaços da empresa quatro bibliotecas para funcionários onde estes podem requisitar livros - são os Bookpoints.

Neste contexto, fui entrevistado a propósito de "Virá a Morte e Terá os Teus Olhos", de que podem fazer download no link mesmo mesmo aqui ao lado esquerdo. Fica aqui abaixo um vídeo e o texto da dita entrevista, conforme o meio que mais vos agradar.

Como se descreve enquanto escritor?
Sou um escritor em part-time porque faço outras coisas. Não vivo da escrita, nem a minha vida é 100 % dedicada à escrita. Intrinsecamente enquanto escritor, diria que sou um escritor de temas mais urbanos e contemporâneos. Há uma série de temas que perseguem os meus livros e que têm que ver com a identidade e com aqueles momentos na vida em que as pessoas têm de decidir o que são, o que não são e o que faz delas aquilo que elas são.


Quando e como nasceu o gosto pela escrita?
Diria que escrevo desde que sei, isto é, acho que mal aprendi a ler e a escrever comecei a escrever histórias. Por volta dos 10 anos já tinha pequenas histórias escritas e depois comecei a escrever mais a sério durante a faculdade. Foi nessa altura que as minhas histórias começaram a ganhar alguma coerência e consistência e a transformarem-se em livros.


Partilha o gosto pela escrita e tecnologia. Como concilia as duas áreas?
A escrita e a tecnologia estão cada vez mais a cruzar-se e uma apanhou a outra algures no percurso. Continuo a gostar muito de livros em papel e a ser um fetichista do livro, mas acho que a tecnologia está a ter um papel fundamental na distribuição dos livros e na forma como as pessoas leem, compram e usam os livros. E já tinha um papel fundamental na maneira como os livros são escritos. Desde que existem processadores de texto tornou-se mais fácil corrigir e a própria escrita tornou-se mais fluida e também mais fragmentada. Diria que a escrita e a tecnologia acabaram por se cruzar facilmente na minha vida.


Tem alguma fonte de inspiração?
A inspiração surge em qualquer momento. Geralmente, surgem-me frases em momentos inconvenientes como nos transportes públicos ou quando vou dormir. Mas acho que não há uma única fonte de inspiração. É tudo!


Quais são os seus escritores preferidos?
São bastantes. Gosto de ler e leio muito. É difícil enumerar escritores preferidos, mas leio mais literatura anglófona e, portanto, escritores ingleses e americanos. Leio todo o tipo de literatura e gosto muito de Don DeLillo, Richard Ford e Jonathan Franzen, por exemplo.


Fale-nos sobre as cinco obras que produziu?
O primeiro livro que escrevi foi o Aquariofilia, um livro mais de fim de adolescência e princípio da idade adulta com temas muito urbanos. É um livro que tem alguns elementos mais autobiográficos, embora todos acabem por ter. O segundo Os Adultos foi uma sofisticação desses temas e é o livro mais longo. Em reação a isso, Em Silêncio, Amor é um livro mais curto e simples. É o primeiro livro que não se passa em nenhuma cidade com nome específico, mas continua a ter os mesmos temas e começa a expressar também o meu gosto pelas artes e pela cultura, nomeadamente pela literatura. Nos dois livros seguintes - Regresso a Barcelona e Virá a morte e terá os teus olhos - há temas específicos, precisamente culturais. O primeiro é muito à volta do tema da música e o segundo em torno da fotografia.


Tem optado pela publicação dos livros também em formato online?
A opção pelo formato online é cada vez mais natural, quer em complemento ao papel, quer em edição exclusiva. Acho que a edição em eBook está nos seus primórdios, naquela fase em que emita o papel. Os livros leem-se da mesma maneira, os formatos são semelhantes e as pessoas querem ter a noção de que existem as páginas. Acho que são formatos que vão evoluir e vamos descobrir novas maneiras de escrever e de ler. Portanto, é natural para mim evoluir para esses formatos. Por outro lado, foi também uma opção que teve que ver com circunstâncias específicas - a não edição do último livro em papel -, por isso, decidi editá-lo, ser eu o meu próprio editor e divulgador e ver o que acontece. Acho que faz parte do futuro. O livro não vai morrer em papel mas vai existir de outras formas.


Pode fazer um pequeno resumo do livro Virá a morte e terá os teus olhos?
O Virá a morte e terá os teus olhos é uma biografia inventada de um fotógrafo. A história percorre grande parte do século XX, sobretudo a 2.ª parte, onde acho que a fotografia e todas as artes de imagem tiveram uma importância fundamental, até chegarmos ao dia de hoje em que quase tudo é imagem, qualquer pessoa diz que é fotógrafo e há milhões de fotografias tiradas todos os dias e como é que essa evolução teve consequências políticas, sociais, culturais e pessoais. Desde a primeira linha do livro, sabemos que este fotógrafo vai morrer em breve e, portanto, queremos descobrir porque é que ele morre, como é que ele morreu e como é que a vida dele o levou àquele ponto.