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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

A Televisão do Futuro.

Começo por dizer que não sei o que é e, na ausência de uma bola de cristal, prefiro definir o futuro como uma perspectiva que o presente nos permite apontar a partir de algumas tendências. Apenas isso. E quais são estas tendências?

 

Atomização do Consumo.

O presidente da NBC, Ben Silverman, abria a sua intervenção num dos MIPs do ano passado dizendo que nunca se tinha consumido tanta televisão como hoje. É verdade. Esse não é o problema. O problema é a dificuldade em transformar este consumo em negócio.

Primeiro, tomemos um episódio da série The Simpsons, que está na televisão há vinte anos. Sem pretender mencionar todas, algumas das maneiras como poderá ser consumido: em primeira exibição, "free to air" na televisão americana; imediatamente a seguir, pirateada e distribuído na Internet; provavelmente entre meses e anos depois em canais generalistas abertos pelo mundo todo, legendado ou dobrado; no mesmo período, em canais de cabo do mundo todo (FOX em Portugal, por exemplo); editado em DVD, após a conclusão da série; eventualmente também em blu-ray; disponível em Video On Demand na Internet (iTunes ou Hulu por exemplo) e em plataformas fechadas de TV por Cabo, IPTV ou TV por Satélite; por fim, disponível em plataformas móveis, consumível em telemóvel.

Em cada uma destas janelas (excluindo a pirataria) há formas de ganhar dinheiro, mas a relação com a audiência deixou de ser o confortável spot publicitário de 30 asegundos. Há também formas de ganhar dinheiro antes do episódio ser sequer exibido (product placement, soft sponsoring) e depois (licenciamento, merchandising, conteúdos derivados).

E estamos apenas e só a falar de televisão tradicional, não estamos a falar de cinema, muito menos da multidão de novo micro e nano produtores que a tecnologia digital fez nascer.

 

Alta Definição.

Os técnicos definem a alta definição a partir do número de linhas que uma imagem de televisão apresenta, 720 ou 1080 actualmente. Existem mais umas questões em que não vou entrar, mas não é esta definição técnica que me interessa. A definição, a qualidade de imagem em televisão em particular e em vídeo em geral tem evoluído em função da largura de banda disponível e das tecnologias de compressão existentes.

A tendência é a imagem ter mais qualidade. Em televisão, o custo da transição na produção e recepção de conteúdos é pesado e demorado, mas é onde está a maior qualidade. O mesmo para as plataformas baseadas em suportes físicos, com o Blu Ray a ganhar força no mercado. Quando falamos de Internet, poucos se lembrarão de quando vídeo era uma janela de 160 por 120 pixels. Hoje é já possível consumir vídeo online com qualidades próximas da definição standard PAL. Em plataformas fechadas com qualidade de serviço do tipo VOD, já chegou também a Alta Definição.

Palavra final para os dispositivos móveis, também eles com com cada vez melhores ecrãs e maior definição.

Existirão sempre diferentes patamares que têm a ver com as situações em que a televisão é consumida, mas em qualquer deles a tendência é para uma maior definição e qualidade de imagem.

 

Diluição de Fronteiras.

Sim, a globalização. Compram-se e vendem-se conteúdos e formatos de todo o mundo para todo o mundo e embora ainda existam mercados dominantes e grandes produtores, também estes percebem já que nesta nova paisagem, o próximo sucesso global pode ser uma telenovela colombiana (Betty Feia) ou uma série de humor "off" inglesa ("The Office").

Não são só essas fronteiras a diluir-se, contudo. Depois da explosão da "reality tv", a atomização do consumo de que falava no primeiro ponto, surge aliada a uma verdadeira revolução digital. A primeira revolução digital audiovisual fez diminuir drasticamente os custos de produção, democratizando os meios audiovisuais, do turista ao artista caseiro, ao aspirante à fama. A segunda, via Internet, universalizou o acesso gratuito a plataformas de distribuição. Qualquer um pode ter um público. Continua a ser difícil agregar audiências em escalas que garantam rentabilidade? Claro que sim, mas há uns dois anos atrás, alguém já tinha ouvido falar de vídeos virais?

A cadeia de valor do audiovisual já não é o que era e se o mundo continua melhor do que nunca para os advogados que contratualizam direitos de autor, as fronteiras e os territórios estão mais diluídos que nunca.

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