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luís soares

Blog do escritor Luís Soares

Only Living Boy In New York

Adrift in New York City, a recent college graduate seeks the guidance of an eccentric neighbor as his life is upended by his father’s mistress in the sharp and witty coming-of-age story The Only Living Boy in New York.
Thomas Webb (Callum Turner), the son of a publisher and his artistic wife, has just graduated from college and is trying to find his place in the world. Moving from his parents’ Upper West Side apartment to the Lower East Side, he befriends his neighbor W.F. (Jeff Bridges), a shambling alcoholic writer who dispenses worldly wisdom alongside healthy shots of whiskey. Thomas’ world begins to shift when he discovers that his long-married father (Pierce Brosnan) is having an affair with a seductive younger woman (Kate Beckinsale). Determined to break up the relationship, Thomas ends up sleeping with his father’s mistress, launching a chain of events that will change everything he thinks he knows about himself and his family.

 

Music video by Paul Simon performing The Only Living Boy In New York.

HBO, e agora?

hbo.png

É notícia de ontem a entrada da HBO em Portugal no princípio de Setembro. Notícia, diga-se, promovida da melhor maneira possível para quem a provocou, com o nascimento de um site destinado à recolha de dados pessoais de interessados cujo URL se espalhou pelo Facebook como fogo em palha seca. Para quem liga a estas coisas.

É aliás clicando na informação legal associada à recolha dos dados dos interessado, que descobrimos que quem os está a recolher é a NOS Lusomundo TV, S.A.. Uma primeira pista a dizer-nos pela mão de quem chega a dita HBO. Ora, a NOS tem já quatro canais de cinema e um de séries pago (TV Cine e TV Séries) e parte de cinco canais de desporto (Sport TV). O mov, embora exclusivo, tem outros donos. Eu sei que isto dos conteúdos, do entretenimento, das séries são coisas de pouco importância para reguladores e afins mas a verdade é que é muita coisa. Sobretudo se lhe somarmos os direitos sobre cinema em que quase todas as majors e grande parte do conteúdo independente estão nas mãos da NOS Audiovisuais.

Momento para disclaimer - o meu empregador é o MEO e sou responsável pelo MEO Kanal.

O panorama não é simples, até porque os direitos não são simples. Há direitos para exibição em canal de televisão incluido em pacote por subscrição, há direitos para exibição em canal aberto (RTP, SIC ou TVI), há direitos para gravações automáticas ou não, há direitos para outras plataformas (apps, websites, Playstation, Apple TV e afins) e, no caso dos filmes, há as salas de cinema.

Indo aos modelos de negócio de distribuição específicos para conteúdos específicos, a coisa complica-se um pouco mais. Só um exemplo: a 'Guerra dos Tronos', sem dúvida o maior sucesso da HBO dos últimos anos, é distribuída em Portugal pelo SyFy, um canal que é propriedade de uma das divisões da NBC Universal.

A HBO tem a minha idade, não é propriamente coisa de ontem, construiu a pulso o seu sucesso com investimento em conteúdos, alguns deles particularmente inovadores pela qualidade narrativa ou pelo investimento em valores de produção que eram, até aí, do cinema. E também o 'Sexo e a Cidade' (sim, ok, inovador por motivos diferentes).

Os irmãos mais novos da HBO aprenderam muito com o mano mais velho e é vê-los a gastar os rios de dinheiro feitos em negócios digitais (e não só) em novos e bons conteúdos. Estou a falar da Amazon (que continua a ignorar olimpicamente o cantinho luso) e da Netflix que vai entrar no nosso mercado em todas as plataformas lá para Outubro. E a HBO lançou também um primo destes mais novos, o HBO Go (vai existir por cá?) - é o chamado mercado over-the-top, basta juntar Internet.

Com a generalização da televisão de acesso pago, o panorama audiovisual português sofreu uma primeira desnatação: os conteúdos internacionais mais valiosos, susceptíveis de atrair audiências mais interessantes para os anunciantes migraram para os canais disponíveis nos vários pacotes de televisão. Nos canais em aberto ficaram concursos, telenovelas e entretenimento barato.

No mesmo movimento, generalizou-se o consumo ilegal, obrigando a um estreitamento dos períodos decorridos nas janelas de lançamento e a inovações como as gravações automáticas, elas próprias fortemente canibalizadoras de outros modelos como o do Video On Demand. 'Fear The Walking Dead' estreia simultaneamente nos Estados Unidos e no mercado global no mesmo dia, à mesma hora, na noite de 23 para 24 de Agosto, às 2h30 da manhã em Portugal, no AMC.

Netlfix e HBO são pagos por subscrição. Assumindo que vão puxar para si os conteúdos de maior valor em que investem, uma nova desnatação vai acontecer e o mercado da televisão vai ter mais degraus do que nunca. A Amazon, já sabemos, quer é vender sapatos. A nova era de ouro da televisão vai custar-nos mais do que nunca. E a Apple, o que anda a Apple a fazer?

Philip K. Dick serve para vender sapatos.

Philip K. Dick tem uma longa história de adaptação ao audiovisual, cinema sobretudo. Nem sempre com bons resultados but we'll always have Blade Runner. E a verdade é que o Google Deep Dream provou mesmo que os andróides sonham com ovelhas elétricas.

O candidato mais recente é o "The Man in The High Castle", ficção política de um futuro (presente? passado?) alternativos em que o Eixo teria ganho a Segunda Guerra Mundial. A verdade é que entre canais de cabo, canais generalistas, estúdios de cinema, império de franchises, serviços over-the-top e lojas online, toda a gente quer produzir conteúdo, conteúdo e mais conteúdo. Focus, people! Jeff Bezos, CEO da Amazon, ao menos, neste artigo no The Holywood Reporter, não engana ninguém, quer vender sapatos:

Bezos himself explains the strategy with the clarity of a man who has made billions over the Internet (even if his company, with $89 billion in annual revenue and a market cap hovering around $200 billion, lost $214 million in 2014). "You can have the best technology, you can have the best business model, but if the storytelling isn't amazing, it won't matter," he tells THR in an interview. "Nobody will watch. And then you won't sell more shoes."

Bom, vamos lá ver o trailer. Pode ser que até saia coisa boa.

Televisão. Notícias da frente de combate.

A Amazon tem, para apreciação dos seus clientes e possível audiência em mercados selecionados, um conjunto de episódios-piloto de novas séries produzidas pelo gigante do comércio eletrónico. São seis séries infantis e oito comédias e não estamos a falar de coisas low cost e tímidas mas de ir buscar protagonistas e temas que garantem, desde logo, um mínimo sucesso de audiência e exigem um investimento com alguma dimensão. A Amazon está também a usar o IMDB (outra das suas propriedades) para promover esta pilot season. É lá que podem ser vistos os trailers respetivos.

A Netflix, por seu lado, continua a investir na produção de conteúdo original e tem já em produção a segunda temporada de House of Cards, a sua série produzida por David Fincher (que realizou também os dois primeiros episódios) com Kevin Spacey no papel principal. Uma das coisas mais interessantes na estratégia de lançamento de House of Cards foi a disponibilização de todos os episódios da primeira temporada de uma vez só. Num mundo on demand, episódios semanais não fazem sentido. Estamos a falar de hábitos de consumo que a pirataria ajudou a formar. Sobre esta estreia, vale a pena citar a Forbes:

It’s the first major TV show to completely bypass the usual television ecosystem of networks and cable operators. It’s also the first time that a series has released an entire season (thirteen episodes) all at once, for viewers to watch at their own pace. Finally, it’s the first time that programming has been developed with the aid of big data algorithms. That’s a lot of firsts.

Mesmo no mundo da network television mais tradicional (ABC, CBS, NBC, FOX), a influência do online e de novos hábitos de consumo é cada vez maior. Candidatos ao primetime são apresentadores com fortes audiências e capacidade de mobilização em meios digitais como Jimmy Kimmel ou Jimmy Fallon. Um aparte a propósito disto para mostrar um excerto de vídeo de um projeto de Jason Salavon chamado The Late Night Triad e que ele próprio apresenta.

In this installation, from a broader series begun in 1997, 64 nights' worth of the major US late night talk shows have been aligned and averaged using basic transformations. The result is a triptych of video projections with soundtrack, presenting an amalgamation of monologues which reveals the ghosts of repetitious structure and nightly activity.

 

Em Portugal, a dimensão do mercado de televisão e online não permite grandes experiências. A isso some-se a pequenez (em muitos sentidos) do mercado publicitário. O SAPO investiu e continua a investir em parcerias para produzir conteúdo original em vídeo e o MEO Kanal abriu o espaço da televisão a milhares de novos protagonistas. Tirando isso... pouco mais. (Sim, são projetos em que trabalhei e trabalho, perdoem-me se a visão é limitada).

A verdade, contudo, é que Portugal continua a ser um mercado com uma capacidade de adesão e um poder de compra relativamente interessantes, na lista de prioridades dos grandes players internacionais na área do digital, mesmo que seja na parte debaixo da dita lista. Note-se por exemplo como o YouTube já partilha receitas com produtores de conteúdos portugueses na sua plataforma.

Ficamos à espera que, tal como aconteceu com a música (Music Box, iTunes, Spotify), também no entretenimento televisivo possam surgir novidades um destes anos.

A propósito da Amazon.

Amazon, Apple, Facebook, Google e (ainda) Microsoft são frequentemente dissecadas na imprensa económica e tecnológica anglófona pelo lugar que ocupam como gigantes no panorama digital do momento. Destes, ando a pensar mais na Amazon, por dois motivos: quem primeiro me pôs a pensar (de novo) no assunto foi Benedict Evans, na conferência Nave Especial; por outro lado estou à espera de uma encomenda e a Amazon decidiu aparentemente abandonar a MRW e voltar aos Correios, o que significa que a coisa está demorada e difícil.

O motivo da mudança do método de expedição para Portugal está provavelmente ligado ao controlo de custos ou, mais que isso, a relação entre custos, eficiência e satisfação dos utilizadores. Mas como diz a Slate, a Amazon não é uma empresa normal, é um caso muito particular: Amazon, as best I can tell, is a charitable organization being run by elements of the investment community for the benefit of consumers. The shareholders put up the equity, and instead of owning a claim on a steady stream of fat profits, they get a claim on a mighty engine of consumer surplus. Amazon sells things to people at prices that seem impossible because it actually is impossible to make money that way. And the competitive pressure of needing to square off against Amazon cuts profit margins at other companies, thus benefiting people who don't even buy anything from Amazon.

Para o cliente final, quando as encomendas chegam, são boas notícias, claro. Para autores, criadores, produtores, editores... nem por isso. O poder da distribuição tende a esmagar as margens o mais possível. Para os funcionários da Amazon podem ser ainda piores notícias, como conta o Financial Times nesta reportagem sobre um dos armazéns gigantes da empresa em Inglaterra: Many in the town, however, have mixed feelings. They are grateful for the jobs Amazon has created but they are also sad and angry about the quality of them. Ah as maravilhas do mundo global da precaridade.

Para a concorrência, as notícias são ainda piores. Veja-se o exemplo da HMV. Eugene Wei reforça a "beleza das margens baixas": Attacking the market with a low margin strategy has other benefits, though, ones often overlooked or undervalued. For one thing, it strongly deters others from entering your market. Study disruption in most businesses and it almost always comes from the low end. Some competitor grabs a foothold on the bottom rung of the ladder and pulls itself upstream. But if you're already sitting on that lowest rung as the incumbent, it's tough for a disruptor to cling to anything to gain traction.

É uma equação tramada, praticamente impossível de replicar e assente sobre a melhor tecnologia. Como consumidor, gostava que os Correios em Portugal funcionassem assim tão bem. Como cidadão do mundo, assusto-me.

Um leitor de E-books.

Por causa das imagens do novo Kindle da Amazon (imagem abaixo), começo a pensar que até é capaz de ser giro ter um leitor de e-books. O problema é o preço e disponibilidade na Europa. Esta alternativa não me seduz. Mas o papel e a tinta ainda me deixam caído de amores.

Outra coisa em que começo a pensar é se o senhor Jeff Bezos não está a seguir as lições do senhor Steve Jobs, em relação a uma indústria em transição, tentando fechar os vários pontos da cadeia de valor, o negócio dos livros electrónicos com o Kindle e a Amazon, tal como a Apple fez com o iPod e o iTunes.

Os momentos de mudança são coisas estranhas e existem uns e outros players no mercado a tentar agarrar uma peça do bolo futuro. A tecnologia só agora começa a estar preparada para que tudo isto faz sentido, mas se alguém se lembra dos primeiros iPods (há um no MoMA) e do que é hoje o iPhone, percebe igualmente que o caminho faz-se caminhando. É isso que a Amazon está a fazer.

Eu próprio já, quase por brincadeira, editei um e-book, mas o próximo livro, garanto, ainda sai em papel.